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Quinta-feira, Junho 17, 2021
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Trabalhadores da Soares da Costa estiveram em protesto frente ao tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia pelo “pagamento dos salários em atraso”

Cerca de 50 trabalhadores da empresa Soares da Costa concentraram-se hoje diante do Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia e cortaram o trânsito na Avenida da República em protesto contra salários em atraso.

Na concentração e corte de estrada, os manifestantes seguravam faixas brancas onde se podiam ler frases, como por exemplo “A lentidão da Justiça está a deixar morrer trabalhadores da Sociedade de Construções Soares da Costa S.A., sem receber os seus salários. Há trabalhadores com mais de 10 meses de salários em atraso” ou “Quando uma empresa recorre ao PER – Processo Especial de Revitalização – e após a sua aprovação não começar a pagar os salários passados dois meses, deve passar para uma situação de insolvência”.

Adão de Azevedo, 67 anos de idade e 43 anos a trabalhar na Soares da Costa (12 anos a trabalhar pela Soares da Costa em Angola), conta que estava a trabalhar em Angola, mas “sem receber há 10 meses”.

“Tive que me despedir por justa causa, senão em casa como é que vão sobreviver”, declarou o trabalhador que participava na concentração e no corte de estrada.

“Viemos aqui ao tribunal para falar com a juíza, ou com o juiz, para nos dizer como é que está o nosso caso, porque a empresa [Soares da Costa] entrou em PER [Processo Especial de Revitalização], ganhámos o PER e ficaram de nos pagar e até hoje zero e já lá vão cinco anos”, explicou, por seu turno, António Rocha, 70 anos de idade e 46 anos a trabalhar na Soares da Costa, inclusivamente em Moçambique.

António Rocha conta que teve de “recorrer ao fundo de desemprego em 2016”, porque, acusou, não lhe pagaram “três meses de ordenado”.

Em declarações aos trabalhadores e aos jornalistas, Albano Ribeiro, dirigente do Sindicato de Construção de Portugal, anunciou durante a concentração que o sindicato ia enviar hoje uma carta, com aviso de receção, para o Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, organismo onde foi aprovado o PER.

Se a juíza não for “sensível à carta”, Albano Ribeiro declarou que o sindicato irá pedir uma “audiência de caráter de urgência à senhora ministra da Justiça”.

Segundo Albano Ribeiro, a Soares da Costa está a dever “60 milhões de euros” às várias “centenas de credores trabalhadores”, porque uns “trabalhadores rescindiriam, outros suspenderam e outros até já nem estão em Portugal a trabalhar”.

A situação dos trabalhadores é “tão grave” que deve ser tomada uma medida urgente, defende.

“Ou se começa a pagar todos os meses a partir de agora, ou então pague-se já aos trabalhadores a dívida”, considerou Albano Ribeiro, lembrando que a Soares da Costa tem uma dívida a todos os credores de “cerca 600 milhões de euros”.

Em fevereiro de 2018 foi aprovado o Processo Especial de Revitalização (PER) da Soares da Costa no Tribunal do Comércio de Gaia e em setembro desse mesmo ano, o Sindicado da Construção de Portugal convocou uma manifestação, à semelhança de hoje, para a porta do tribunal do Comércio de Gaia.

Em novembro de 2017, cerca de uma centena de trabalhadores da Soares da Costa já se havia concentrado também diante do Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, prometendo ir manifestar-se para a porta do primeiro-ministro.

Tentou-se obter esclarecimentos da Sociedade de Construções Soares da Costa SA, mas não foi possível ter, para já, qualquer informação sobre o PER e os salários em atraso de várias centenas de trabalhadores.

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