Segunda-feira, 4 Dezembro 2023

#informaçãoSEMfiltro!

TAPar o sol com a peneira

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O ditado é antigo: “todo o burro come palha, é preciso é quem lha saiba dar”. 

Falar da TAP é já tal banalidade que praticamente ninguém quer saber, mas ainda assim, a empresa teima em não sair das notícias pelos piores motivos. 

Agora acharam por bem comprar 50 BMW’s para as chefias. Confesso que percebo muito pouco destes negócios de milhões, onde vemos milhão pra qui, milhão pra li, e no fim paga o estado, mas por norma, em qualquer profissão, desde o pedreiro (com todo o respeito pelo pedreiro), ao engenheiro, quem não produz é despedido. Na TAP, após o o Estado injectar 3,2 mil milhões de euros, temos no primeiro semestre de 2022 um prejuízo de cerca de 280 milhões de euros e quem a dirige recebe um BMW. Quem os quer bons que os arranje…

Até admito que com os novos carros pudessem poupar dinheiro. Até admito que, em alguns casos, o renting de um BMW pode até ter um valor mais simpático ao renting de um Fiat, mas não é ai que reside o problema. E o problema não é só na TAP.

Pergunto eu, que não percebo nada disto, porque é que quem tem um salário de 750€ tem que comprar a sua viatura, e rezar para que não avarie por forma a não complicar ainda mais o orçamento; e quem tem salários de 2/3 mil euros (já para não falar nos salários pornográficos), tem o carrinho de serviço “de uso pessoal”, sendo normalmente um topo de gama, com todas as despesas pagas incluindo o combustível? E os ouvimos dizer que compreendem o problema do aumento dos combustíveis, como se para eles fizesse alguma diferença. 

Vão agora dizer que não podemos ver assim, que é populismo, etc e tal. Mas como diz o nosso Primeiro Ministro, vamos lá ver:

Titulares de cargos públicos, funcionários públicos e diretores de empresas públicas, devem ter viatura de serviço? Claro que sim. Mas quando estão em serviço.

Ah e tal, mas a viatura é de uso pessoal. Sim senhor. Mas então paguem combustível, portagens e estacionamento quando a estão a usar nesse nível lá do pessoal.

Quanto gasta o nosso país, mensalmente, com passeios e deslocações “extra-serviço”, nestas viaturas, que por acaso até são pagas por todos nós? 

O problema da TAP foi imoral, é verdade. Mas é apenas o reflexo do país, com gostos de rico e carteira de pobre. Onde quem nos governa chega às reuniões de topo de gama, mas sai de mão estendida a ver o que chove da União Europeia.

Estes diretores de topo, como lhe chamaram na TAP, são suficientemente bem pagos para poderem pagar a prestação do carrinho sem dificuldade. E se forem eles a pagar o gasóleo, até aposto que vão andar menos.  

Mas termino como comecei, “todo o burro come palha, é preciso é quem lha saiba dar”. E a malta da TAP desta vez não soube, ou já deu tanta que os burros andam enfartados.

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