Segunda-feira, 4 Dezembro 2023

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Sport Club do Porto:  a remar para o sucesso

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Uma modalidade bastante completa a nível físico, mas muito pouco reconhecida pelos demais. As pessoas caem na tentação de apenas dar visibilidade a “desportos de bola”, mas esquecem-se das modalidades “escondidas” – o remo é uma delas.

Estivemos à fala com o Sport Club do Porto, um clube que se distingue pela sua secção de remo, sendo um dos mais influentes do grande Porto. Apesar de ser uma modalidade pouco conhecida, Manuel Ferreira, treinador do clube e Maria Rita Rodrigues, atleta, falam do remo com grande paixão.

Fazem já 10 anos que Maria Rita Rodrigues pratica este desporto. Antes de iniciar nesta modalidade praticou natação, todavia, procurava algo que fosse diferente, mas que tivesse na mesma envolvência com água: “Inicialmente, quando comecei a remar, nem foi neste clube, eu comecei no Fluvial. (…) Era para ser algo lúdico, mas depois o gosto pela modalidade, pela água, pelo compromisso, pela equipa, fez-me gostar ainda mais e a querer levar as coisas mais a sério”. Foi aí, que há cerca de 7 ou 8 anos, entrou para o Sport Clube do Porto e por lá ficou.

Existe um certo preconceito com este desporto, muito acham caro praticá-lo, outros temem pela segurança dos atletas, sendo que é maioritariamente praticada no rio, outros por não conhecerem. Manuel Ferreira, treinador, vem desmistificar esta crença.

A nível de custos, “quase todos os clubes têm o seu próprio material, portanto o esforço financeiro que as pessoas têm normalmente é da mensalidade, que pagam em qualquer outro desporto. Há gente que, obviamente, compra o seu próprio material, mas já numa fase mais avançada e porque gostam e querem ter algo seu”, refere.

Em termos de segurança, para quem quer começar neste desporto, os iniciantes “começam a sua atividade em barcos que não viram, quer pela forma do barco em si, que é mais largo que o de competição, quer pelos flutuadores, criando aqui uma semelhança com as rodinhas da bicicleta.” Numa primeira fase também levam os atletas para um ambiente controlado, nomeadamente para uma praia: “Para poderem aprender a reagir à situação, para saberem o que fazer ou como voltar a entrar no barco e a como reagir à própria virgem”, salienta.

Esta modalidade tenta ultrapassar outra grande dificuldade. Não ter tanta visibilidade, como outros desportos, leva à difícil tarefa de encontrar apoios. Maria Rita aborda a escassez de apoios “para fazermos mais provas internacionais, para crescer, e às vezes não é possível porque é tudo pago do nosso bolso”, há pessoas que não têm flexibilidade horária nem financeira para poder praticar. Manuel Ferreira salienta ainda: “Infelizmente, vemos logo pelo desporto nas escolas, normalmente está tudo virado para as modalidades coletivas. O futebol tem o maior mediatismo, por isso tem tanta gente a praticar, mas mesmo em relação às outras modalidades coletivas, são opções que são praticadas nas escolas e normalmente passam na televisão. Desta maneira, nós acabamos por ficar mais “escondidos”, havendo muito mais modalidades que vivem assim às escondidas. No entanto, quem entra, depois consegue perceber o que é fazer parte do remo.”

Para Maria Rita Rodrigues, a entrada em campeonatos é o “ex-líbris do remo”, mas para lá chegar é necessário muito treino. Para atingir um patamar de excelência, segundo o treinador, são necessários por semana cerca de 12 a 14 treinos, sendo que cada treino dura entre uma hora e meia a duas horas – “No caso da Rita e das colegas dela treinam, pelo menos, uma vez por dia, tendo depois dias em que vão treinar duas vezes. Só assim é que é possível chegar aos resultados que elas atingem ou até mais altos.”

Esta carga horária de treinos levou a que exista uma taxa de desistência elevada e num escalão específico – entre os 17 e os 18 anos – idades em que, normalmente, os atletas terminam o ensino secundário e iniciam a entrada para as universidades. Manuel Ferreira destaca o facto de nestas idades, os jovens começam a ganhar outro tipo de distrações, porém “o remo não deixa de ser compatível com o resto da vida das pessoas. Toda a gente pode sair à noite, toda a gente pode ter a sua vida pessoal e ter os seus momentos de lazer, desde que haja disponibilidade e vontade para isso.”

Maria Rita acrescenta a sua opinião nesta ideia: “Desde que comecei a praticar e desde que comecei a ganhar aquele bichinho de competição que basicamente era o remo a minha prioridade, não tirando a prioridade à escola, sendo que eu entrei com os meus 16 anos. Portanto, a prioridade era a escola e o remo e depois, tudo o que fosse externo a isso, é que se moldava às horas da escola e do treino.”

Apesar de a competição ser a génese deste desporto, também existem pessoas que praticam remo de forma lúdica e isso é o que distingue o remo de outras modalidades – existe espaço para toda a gente – “Há modalidades que limitam a entrada de algumas pessoas, nós somos uma modalidade aberta a toda a gente, quer tenham muito jeito ou pouco. Temos diferentes níveis de prática, que vão desde o lazer, uma coisa muito lúdica, à alta competição.”, declara Manuel.

Nos últimos anos, o clube teve um grande crescimento, principalmente nos escalões mais jovens: “se calhar motivado pela covid- 19, inscreveram-se pela necessidade de encontrar atividades extracurriculares”, expõe Manuel. Neste momento, pretendem aproveitar “esta fornada de novos atletas” e prepará-los para a competição. Desejam apostar também nos atletas sub-23 e no grupo feminino, de modo a conseguir os melhores resultados, mas sobretudo continuar a trabalhar da mesma maneira e disputar todas as medalhas possíveis nos campeonatos.

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