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Quinta-feira, Junho 17, 2021

Se o Bruno Fernandes sai nem sei o que nos acontece

Gil Nunes

Jornalista

Parabéns Sporting! O novo campeão nacional é o vencedor justo de uma prova onde, desde o primeiro minuto, não era o principal favorito das apostas. Se o F.C.Porto tinha e tem uma equipa mais consolidada, o Benfica apostou na contratação de jogadores de altíssimo nível, pelo que se adivinhava uma corrida a dois na luta pelo título. Foi um verdadeiro pontapé na probabilidade.

Acontece que o Sporting preferiu apostar na simplicidade. E até na humildade. Um treinador jovem – Rúben Amorim – mas com uma ideia de jogo bem definida, onde se destaca a sua primeira linha de três defesas complementada com dois laterais bem expostos no relvado. Também um médio-defensivo (João Palhinha) que este ano cresceu muito na vertente ofensiva. Ainda ontem, frente ao Boavista, foi possível ver Palhinha a acrescentar qualidade ao jogo no passe longo. Um jogador diferente, um jogador mais completo!

Com Nuno Santos a ser uma das figuras do ano – destaca-se a sua ligação com Nuno Mendes na faixa esquerda mas também a sua uma astúcia impressionante em termos de ocupação de espaço de jogo – a principal surpresa dá pelo nome de Pedro Gonçalves: afinal Bruno Fernandes saiu e o Sporting continuou a ganhar. Não é normal um médio-ofensivo marcar mais de trinta golos por época e tal deve ser visto pelos dois lados da moeda: se trinta golos são trinta golos, também trinta golos de um médio ofensivo revela uma possível dependência extrema da equipa num determinado jogador. Com Pedro Gonçalves, o equilíbrio chegou: menos golos mas uma excelente relação com o espaço (sobretudo entradas em profundidade), capacidade de articulação com os médios, perícia nas deslocações para a faixa e ainda aproveitamento das zonas de finalização. Este candidato a jogador do ano complementa uma linha ofensiva onde dois elementos se destacaram: Paulinho (não é excelente mas é muito bom em quase todas as suas missões de jogo) e Tiago Tomás (muito hábil na conquista da profundidade e um potencial tremendo). Em suma: Sporting justo campeão – o Sporting da tranquilidade.

Depois da tempestade vem a bonança. No caso do Benfica, depois da verdadeira turbulência que foi a contratação maciça e dispendiosa de jogadores sem uma identidade definida, as águias parecem serenar e rumar a zonas mais calmas. Para tal, contribui o conhecimento de um treinador muito hábil que, dissipada a poeira, está a conseguir levar a equipa a uma maré de bons resultados. Com a prioridade na conquista da Taça de Portugal, as águias têm aproveitado para fazer crescer a sua segunda linha e para caminharem para uma identidade que lhes dê aquela vantagem invisível no início do próximo campeonato. Na Choupana, a reviravolta aconteceu depois de uma melhor interpretação do que era necessário fazer no último terço. E Éverton cresce. Imenso. O brasileiro é provavelmente o jogador mais habilitado do ponto de vista individual a jogar em Portugal. O principal desafio da sua potenciação passa pela sua colocação em zonas onde possa, de facto, desequilibrar em prol da equipa. Depois do grande golo que apontou frente ao F.C.Porto, mais uma ação determinante no golo do empate em que, colocado em zona certa, conseguiu desembrulhar-se de vários jogadores de Nacional e proporcionar a obtenção do empate. No rumo certo!

No rumo certo parece estar também o F.C.Porto, isto depois da confirmação da saída de Marega para o Al-Hilal da Arábia Saudita. O maliano foi o avançado de maior rendimento que os dragões tiveram nos últimos cinco anos: ao nível das transições – defensivas e ofensivas – Marega é de uma eficácia tremenda, a que se alia também uma notável capacidade de exploração da profundidade. De facto, poucos defesas devem querer enfrentar Marega. No F.C.Porto, no entanto, está a ser substituído por Toni Martinez. Se o espanhol naturalmente não oferece a mesma capacidade física ao jogo, destaque para a sua articulação com Taremi e para a sua habilidade na exploração da profundidade. O espanhol voltou a marcar e a demonstrar que, na casa do Dragão, se trabalha bem na arrecadação. No laboratório.

Saliência também para a possibilidade do Estádio do Dragão receber a final da Liga dos Campeões. Num país em que muitas vezes temos a tendência para nos queixarmos uns dos outros, a possibilidade de recebermos consecutiva final representa um sinal de confiança por parte da UEFA. Sabemos planear, sabemos organizar. Em Portugal, as coisas também correm bem. Somos de confiança!

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