Sábado, 18 Maio 2024

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São Pedro leva milhares à Afurada

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Era grande a expectativa para o regresso dos festejos de São Pedro da Afurada. Fomos saber como correu esta semana e meia de festa ininterrupta.

Este ano, as festas de São Pedro começaram a 23 de junho – véspera de São João – e só acabaram no dia 4 de julho. Discutivelmente a maior festa de Gaia, tem um grande significado para os habitantes, em particular para os da zona ribeirinha. A Afurada encheu-se de divertimentos, barraquinhas e todas as estruturas que permitissem receber a tão esperada multidão.

Falamos com quem já marca presença há muitos anos no S. Pedro, do lado de quem trabalha para que os outros se divirtam. Todos são unânimes em dizer que as pessoas estavam “com fome de festa”, e que os dias mais movimentados foram os de sexta e sábado, 1 e 2 de julho.

Há 40 anos que Dolores Gomes faz as festas da Afurada. O seu negócio é uma daquelas barraquinhas onde se dispara para ganhar brindes. Dolores vaticina: “A Afurada este ano foi uma loucura.” Acredita que as pessoas estavam “mesmo a precisar disto”, e que tem sido bastante o movimento, embora não tanto nos jogos, “mais nos comes e bebes”.

Maria Rosa vem há mais de duas décadas anos para aqui, com o Carrocel Portuense. “Anda aí muita gente, ainda se fez algum”, diz, embora admita que “as pessoas têm pouco dinheiro, às vezes chegam, vêem o preço e vão-se embora.” Explica que tiveram de subir o preço das fichas dos carrosséis, “porque temos as nossas despesas, funcionários, luz, gasóleo, tudo isso conta…” Ainda assim, o balanço que faz é positivo.

Paulo é artesão vidreiro. A partir de lâmpadas velhas, com um maçarico, derrete o vidro, que molda com diferentes formas e cores. Leva 30 anos no ofício e tem uma banquinha onde vende o seu artesanato. Diz que tem vindo muita gente. “O negócio está para aí a 70% do habitual”, estima.

Quem por ali passa o fim de tarde, a usufruir dos vários divertimentos ou simplesmente a passear, mostra-se contente com o regresso das festas. Luciana já frequenta há muitos anos o S. Pedro da Afurada e este ano traz pela primeira vez Francisco, de dois anos. Visitaram a festa várias vezes ao longo dos últimos dias, e, em comparação com anos anteriores, Luciana diz que “tem tido muita adesão, muita gente mesmo, não sei se por dois anos sem haver festa.” Francisco e Maria levaram a filha pequena a comer um gelado. Vêm ao S. Pedro todos os dias, já que moram ali “mesmo à beira” e falam em “muita gente, mais do que nos outros anos.” Reforçam ainda a ideia, deixada pela feirante Dolores, de que a restauração é a mais beneficiada: “há filas para tudo, mas sobretudo para comer e beber.”

Dezenas de milhares de pessoas passaram pelo evento ao longo dos vários dias; um dos dias mais concorridos, em termos de público, terá sido o dia em que atuaram os Calema, em que o número terá chegado a cerca de 100 mil pessoas. No entanto, os pontos altos foram, sem dúvida, o fogo de artifício, na noite de sábado para domingo, e a procissão.

Paulo Lopes, presidente da junta de freguesia de Santa Marinha e S. Pedro da Afurada, destaca exatamente estes dois momentos como os mais marcantes daquela que é a “festa rainha de Gaia”. Paulo Lopes faz questão de destacar o caráter especial da procissão, que este ano voltou com ainda mais emoção pela ausência prolongada. Destaca o nível de organização “ímpar” e atribui o grande sucesso da procissão à paróquia da Afurada e em particular ao padre Almiro Mendes, “pessoa empreendedora e dinâmica”.

Realça ainda o papel do município, da comissão de festas, e das gentes da Afurada, que “se organizam ao longo do ano para fazer esta festa”.

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