Sábado, 13 Julho 2024

#informaçãoSEMfiltro!

PUTLER tornou a Guerra nossa

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Estamos em Guerra. 

Não é uma coisa deles, dos outros – é nossa, minha e tua! 

É nossa. 

E é nossa porque as guerras e as violações da paz nunca são apenas dos outros, embora nos últimos anos tivéssemos desenvolvido a ideia que a guerra era uma espécie de programa de televisão. 

Foi a invasão americana do Iraque a propósito de armas que nunca existiram, a tragédia do Afeganistão ou a ocupação permanente de Israel na Palestina. 

Estes exemplos, como outros, foram para nós programas de televisão, daqueles que podemos escolher com o comando. 

Tal como não quisemos ver os milhares que morreram a atravessar o “rio” que nos separa de África, nem tão pouco os muros que a Hungria levantou ou as portas que a Polónia fechou. 

Talvez porque a cor da pele fosse diferente, talvez porque tinham outra religião, talvez por muitas outras coisas. 

Mas eram pessoas! 

Seres humanos. 

E, para nós, figurantes num programa de televisão! 

Não doía. 

Era inodoro, porque a televisão não nos trazia o cheio e podíamos sempre mudar para o Big Brother ou para os imbecis que comentam futebol aos berros. 

Do dia para a noite tudo mudou. 

A Guerra passou a ser também nossa! 

Ela sempre o tinha sido, mas nós não queríamos ver, cheirar e muito menos ouvir. 

Ouvir os sons das sirenes, o som das bombas, dos pássaros de fogo que passam e matam. 

Putin tomou conta do nosso comando e tornou a Guerra nossa. Uma guerra em tons de azul e amarelo. O azul do céu, o amarelo dos campos férteis da Ucrânia. 

E as semelhanças com o passado são tantas que torna tudo ainda mais assustador. 

Hitler invadiu a o Polónia com o argumento de que tinha de proteger os Alemães que por lá viviam, tal como Putin decidiu matar Ucranianos invadindo um país soberano com o argumento de que precisava de defender os Russos que ali viviam. 

A ideia de uma superioridade moral de um povo – o Alemão – foi o pretexto para Hitler, tal como o está a ser para Putin, neste caso, com os Russos. 

E temos, por isso, um Putler nas nossas televisões, em nossas casas, à mesa das nossas refeições. 

Podem ir buscar argumentos de todos os tipos, mas há um facto que merece toda a censura – Putler invadiu um país livre, está a manter inocentes e isso não pode ter, de ninguém, qualquer contemplação. Não há contextos nem ideologias que possam justificar as atrocidades deste fascista armado em Imperialista. 

Não há! 

Mas, há uma guerra que agora também é nossa, minha e tua! 

Estão a morrer crianças, homens e mulheres.  

Estão a destruir os monumentos de um povo, a tentar apagar a sua memória e nós, aqui, em frente à televisão, com o Putler a mandar no comando. 

Porque o comando não é teu! 

É dele! 

Mas, e agora? 

O que podemos fazer? 

O que vamos fazer? 

E tu? 

O que vais fazer hoje para ajudar a Ucrânia? 

….

Texto inicialmente publicado na Revista MAGAZINE dos Bombeiros Voluntários de Valadares

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