Segunda-feira, 4 Dezembro 2023

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Os mistérios da Astronomia em Vila Nova de Gaia

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De visita ao Observatório Astronómico de Gaia, falamos com o diretor e professor José Luís Santos, que começou por referir ter no Observatório “duas componentes diferentes. Uma que é a astronomia e astrofísica, no sentido lato, e outra que é a geodesia, em gíria geográfica, a localização geográfica”, lançando desta forma o mote para o que é a Astronomia e suas variantes.

Explicando que a sua formação é em Física e que não tem formação em astronomia, indicou estar como “responsável da direção do Observatório desde há dois anos.”

Inaugurado nos anos 40, pelo Professor Manuel de Barros, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, o Observatório foi formado na perspetiva de dar apoio ao ensino da Astronomia, que existia à época, na Faculdade de Ciências. Havia ainda a intenção de, a partir de uma determinada fase, ser também um instrumento, um sítio importante, para algo que não era muito conhecido ainda, que era a questão de acertar os relógios.

Aquisição do Telescópio

Quando ainda com o professor Barros, se pensou em alargar a atividade do Observatório de Astrofísica, no sentido de observar as propriedades físicas e químicas dos corpos celestes, foi adquirido um telescópio, que ainda hoje “é o maior telescópio em Portugal.”

Nos últimos 20 anos, o Observatório tem dirigido atividade para toda a componente de engenharia geográfica de geolocalização, dirigindo-se também para a radioastronomia. Estamos envolvidos, por via da equipa liderada pelo Dr. Valmiro, “num grande projeto internacional, o Square Kilometre Array (SKA), que pretende implementar-se na África do Sul e Austrália” e será o maior radiotelescópio do mundo, num investimento de cerca de 900 milhões de euros.

O Professor José Alberto, geógrafo e Vice-Presidente do Observatório, na componente de geodesia, referiu poder dar apenas “algumas palavras sobre isso, porque na data em que o Observatório foi feito, ele era um pouco mais virado para a área de astrometria.” Lembrou, no entanto, que tudo isto tinha uma função muito prática para a vida, aqui no planeta. “Como é que nos era dada a questão do tempo? Através da Astronomia, da observação dos astros. Como sabemos onde estamos? Com a medição a partir das estrelas”, aludindo depois ao facto de, em Portugal, termos tido experiências como as Gago Coutinho, responsáveis por medições em sítios como Timor, Angola ou Moçambique.” Atualmente, se quisermos acertar um relógio, saber onde estamos, é já pelo GPS, através dos satélites.

E como as coisas mudam, interessa perceber que uma parte importante do Observatório “é o lado quase museológico dos equipamentos que temos aqui. É importante preservar e conhecer o passado”. Reconhece.

GPS ou GNSS?

No nosso dia a dia, temos por hábito falar em GPS, mas parece que devemos usar GNSS (Global Navigation Satellite System). “Há o GPS, que são os satélites americanos, mas há também o sistema russo Glonass, há o sistema chinês, que é o Beidou, usado na Guerra-Fria, há o sistema europeu, que é o Galileu, que surgiu por uma iniciativa da União Europeia de ter um sistema autónomo, não militar, para aplicações civis de navegação e de tempo. (…) Temos aqui um projeto, com a Agência Espacial Europeia, de estudar a performance dos sistemas de satélite Galileu, no posicionamento.”

Potenciar o Observatório

O Observatório de Astronomia é gerido pela Faculdade de Ciências, uma das 14 faculdades que compõe a Universidade do Porto e tem atualmente cerca de 15 investigadores, de várias nacionalidades. “Daqui a cinco anos, após as remodelações todas concluídas, poderemos potenciar muito mais. Temos alunos portugueses por esse mundo fora e o que nos falta é arranjar maneira de levá-los a produzir riqueza. Os programas europeus são neste momento o nosso foco, uma vez que o investimento do Estado Português fica muito aquém do desejado.”

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