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Segunda-feira, Maio 10, 2021
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Missas online? “Não vale tudo”

Um “ciberpadre” católico da zona de Aveiro diz que em tempos de pandemia as celebrações ‘online’ são uma boa alternativa às missas televisionadas ou radiodifundidas, porque permitem a interação, mas um sacerdote do Porto discorda: “Não vale tudo”.

A hierarquia da Igreja Católica, a mais representativa confissão religiosa em Portugal, mandou fechou as portas dos seus templos em 23 de janeiro e incentivou a aposta em “ofertas celebrativas, transmitidas em direto por via digital”.

Compreendendo a suspensão de missas devido à pandemia, o padre Jardim Moreira, que tem a cargo a paróquia da Vitória, no casco histórico do Porto, declara-se, contudo, contra a multiplicação de serviços religiosos alternativos ao presencial, nomeadamente através da internet.

“Admito isso apenas para os doentes, mas a missa na TV e na rádio já chega. Acho que é um perigo e deseducador, antipastoral, que se transforme um ato presencial, que é a celebração da ceia (“tomai e comei”), num ato virtual. Não vale tudo”, afirmou à agência Lusa o padre Jardim Moreira, de 79 anos, que é também responsável em Portugal pela Rede Europeia Antipobreza.

“O cristão é o que vive em comunidade, em comunhão fraterna”, frisa o sacerdote católico de uma zona urbana histórica em desertificação acentuada onde, “em poucos anos”, a população decresceu de “uns 20 mil habitantes” para três mil.

Diferente é o ponto de vista de Júlio Grangeja, o chamado “ciberpadre” de Águeda, no distrito de Aveiro, que tem a cargo três paróquias e que há duas décadas usa as novas tecnologias para transmitir a mensagem católica.

“Discordo dessa posição tão radical do meu colega. Num tempo em que falta alimento para o cristão, entendido este como participação presencial nos atos, devemos usar todos os meios ao nosso alcance para passar a mensagem, minimizando a falta que sentem. Já que não podem comungar sacramentalmente, pelo menos têm a comunhão espiritual”.

Júlio Grangeja, de 62 anos, sublinha, por outro lado, que a transmissão dos serviços religiosos pelas novas plataformas tem valor acrescido face às feitas na rádio ou na televisão, embora estas primem, como diz, pela “qualidade e comodidade”.

O padre tem a cargo as paróquias de Espinhel, Óis da Ribeira e Travassô, todas de Águeda, que no conjunto terão menos de cinco mil habitantes, mas, enquanto “ciberpadre”, chega a fazer celebrações online com 800 a mil pessoas, as quais registam, na caixa de comentários, participações de 300 a 400 fiéis, em Portugal e no estrangeiro.

“Há interação e isso faz toda a diferença. As pessoas que estão a participar (“a participar, e não a assistir”, enfatiza) são convidadas a escrever os seus comentários” e muitos escrevem o que diriam se estivessem a participar presencialmente, o que rejeita a ideia de que todos os seniores continuem a experimentar grandes dificuldades no recurso a plataformas.

“Há de tudo”, observa.

Já o cónego Fernando Milheiro, de 73 anos, que tem a seu cargo as três paróquias do Vale de Campanhã (Cerco, São Pedro de Azevedo e Campanha), no Porto, tende a desvalorizar a dicotomia entre a missa presencial e a transmitida por meios eletrónicos, sublinhando que o importante é mesmo a presença em espírito.

“Já antes da covid-19 eu lembrava isso, em contacto com alguns doentes que se queixavam que tinham deixado de poder ir à missa precisamente por razões de saúde”, refere o padre, ao combater eventuais dramas interiores de católicos agora impedidos de participar presencialmente em serviços religiosos e com dificuldades, por infoexclusão, a aceder a celebrações online.

Aludindo a alternativa às missas via televisão ou rádio, dá exemplos, recolhidos nas suas próprias paróquias, de idosos que obtiveram ajuda de familiares jovens para ver e ouvir a homilia que Fernando Milheiro transmite por internet.

“Não devemos desligar as pessoas que efetivamente não estão desligadas”, conclui.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), da Igreja Católica, determinou a suspensão das celebrações públicas de serviços religiosos, desde 23 de janeiro, na sequência do agravamento da pandemia de Covid-19 no país.

Em Portugal, morreram 13.257 pessoas dos 740.944 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

Face à suspensão das celebrações comunitárias, a CEP pediu a aposta em “ofertas celebrativas, transmitidas em direto por via digital”.

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