Sexta-feira, 24 Maio 2024

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Entrevista com Patrocínio Azevedo, líder do PS Gaia e Vice-Presidente da autarquia

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Patrocínio Azevedo foi reeleito no passado dia 08 de outubro, líder do Partido Socialista de Vila Nova de Gaia. Este será o último dos seus mandatos, numa liderança marcada pela conquista da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, onde é Vice-Presidente, e de todas as Juntas de Freguesia do concelho. Eleito em lista única, “sinal claro da união e coesão interna que existe no partido”, em entrevista ao jornal Gaia Semanário, Patrocínio Azevedo mostra-se confiante e disponível para os combates que se avizinham, não tendo dúvidas que “as vitórias alcançadas, em todos os atos eleitorais, provam que seguimos a estratégia correta”. 

Maior vitória? Vitória nas eleições autárquicas de 2013. | Maior derrota? Não sou de deixar de lutar por aquilo em que acredito, logo não me deixo derrotar. | Sonho? Um dia olhar para trás e dizer: valeu a pena. | Maior satisfação? Ser Pai. | Maior desilusão? A deslealdade. | O que o faz feliz? Fazer os outros felizes.

publicado na edição em papel de 21/10/2022

Foi eleito no sábado (08 de outubro) novamente líder do Partido Socialista de Vila Nova de Gaia.

Encara o facto de ter sido lista única, um sinal de união do partido e de reconhecimento pelo trabalho que tem desenvolvido enquanto líder?

O facto de ter sido apresentada uma lista única é um sinal claro da união e coesão interna que existe no partido, desde que sou presidente da Comissão Política Concelhia. Quando numa eleição interna, realizada em qualquer instituição ou organismo, existe uma única lista sufragada, creio que é o reconhecimento de que o candidato é agregador e a pessoa mais indicada para a função.

No meu caso, sempre que fui a votos, consegui gerar consensos e criar unidade à volta de uma lista única. Creio que este facto é revelador do reconhecimento às capacidades e trabalho desenvolvido. 

Nesta eleição, em especial, o voto dos militantes e o apoio quase unânime é sinal de que eles reconhecem que sou a pessoa melhor preparada para os desafios que se avizinham.

Como avalia a sua caminhada enquanto líder do PS Gaia?

Penso que os resultados falam por si. As vitórias alcançadas, em todos os atos eleitorais, provam que seguimos a estratégia correta. Durante os meus mandatos conseguimos conciliar a atividade partidária e a atividade autárquica de uma forma brilhante.

Pontualmente, comentam que o Partido Socialista podia e devia afirmar-se mais, enquanto estrutura política, junto da sociedade civil. Sempre discordei. Em vez disso seguimos a estratégia de afirmar o PS pelo trabalho dos seus autarcas, e resultou. Quando lideramos na oposição, temos de ter uma atitude combativa e de afirmação do partido. Mas, quando lideramos no poder, como é o caso, temos de ter uma atitude serena e moderada, de discussão interna e de afirmação dos nossos autarcas. Se os autarcas fizerem, como estão a fazer, um bom trabalho, o partido sairá sempre reconhecido.

Com a equipa que lidero, afirmamos o PS Gaia internamente, na Distrital e na Nacional. Hoje o PS Gaia é reconhecido como uma estrutura coesa, muito organizada, com pensamento próprio, solidária com os combates partidários, a todos os níveis, e com quadros, camaradas, de grande valor político e intelectual.

A escolha de Eduardo Vítor Rodrigues para a presidência do Conselho Metropolitano é o reconhecimento do seu valor enquanto autarca, político e ser humano extraordinário, mas também é o reconhecimento do PS Gaia no contexto regional. Reconhecimento esse agora reafirmado com a sua candidatura a presidente da federação, com o apoio esmagador de todo o distrito.

Hoje, quando o PS precisa de quadros de valor para exercer funções governamentais, “olha” sempre para Gaia. Prova disso são os três secretários de Estado do atual Governo, que são “fruto” da nossa maturidade política, de que me orgulho que tenha sida alcançada nos mandatos que lidero.

Existem muitos outros cargos políticos ocupados por gaienses, de onde destaco o Tiago Braga, presidente da Metro do Porto, que por mérito próprio se afirmou como um gestor público de referência nacional. Creio poder dizer que iniciou o seu percurso em Gaia, e que a estabilidade que se vive no PS Gaia permitiu que “olhassem” para ele.

Afirmamos o PS junto das estruturas regionais e nacionais, mas também o abrimos à sociedade civil e à juventude. Os jovens e independentes que se identificam com o nosso projeto e que, por isso, participaram nas nossas listas autárquicas de 2021, são a prova do rejuvenescimento do Partido.

Posso dizer com orgulho, que hoje o PS Gaia é um partido aberto a todos aqueles que queiram contribuir para o nosso projeto e que connosco queiram partilhar o caminho que estamos a definir e a delinear para Gaia.

E como avalia os 9 anos de governação socialista na Câmara de Gaia?

Avalio positivamente e sinto que os gaienses também o fazem. A melhor prova disso foi o resultado alcançado nas Eleições Autárquicas de 2021.

Apesar das dificuldades, criadas pelo descalabro financeiro encontrado em 2013, pela pandemia que marcou o nosso segundo mandato, e agora pela guerra na Ucrânia, que está a marcar este mandato, o trabalho está à vista de todos: é de excelência.

O nosso presidente Eduardo Vítor Rodrigues é um excelente autarca, que conseguiu envolver todos os parceiros e a comunidade num projeto de desenvolvimento inteligente e sustentável, em que as pessoas são a prioridade. Deixámos para trás um projeto em que só as obras interessavam, passando para um projeto em que as obras são apenas o “instrumento” para o investimento nos equipamentos educativos, desportivos, culturais e recreativas. Passámos para uma era em que os projetos imateriais foram preferidos, sendo exemplo disso o “Gaiaprende+”, o apoio ao arrendamento e os inúmeros projetos de inovação social que são referência nacional.

Nesta nova era, os temas fulcrais para o nosso território, como a alta velocidade, o prolongamento da linha de metro a Vila D’Este, a nova linha de metro, o alargamento da linha do Norte, a habitação, o investimento no nosso Hospital, passaram a estar na agenda política e são hoje compromissos assumidos, alguns em obra, outros com contratos assinados.

A sustentabilidade é uma prioridade na mobilidade, mas também no nosso parque habitacional foi levada a cabo uma intervenção que visou a eficiência energética, associada à requalificação do espaço público.

Investimentos na requalificação da rede viária, que é um trabalho sem fim. A Rua Delfim de Lima, Rua Heróis de Ultramar e Estrada da Rainha são exemplos de algumas das obras estruturantes que realizámos.

O Metro bus na 222, a VL3, ambas em obra; o pavilhão Multiusos que se iniciará ainda este ano; o Centro de Congressos da autoria do Arq. Souto Moura são outros exemplos de investimentos importantes.

Gaia figura hoje nos “radares” internacionais, como sendo um território onde se deve investir e isto é fruto de um trabalho de muitos anos e de uma estratégia de desenvolvimento pensada e planeada por Eduardo Vítor Rodrigues e por esta equipa.

Eduardo Vítor Rodrigues e Patrocínio Azevedo

O facto de ter conquistado a totalidade das juntas de freguesia, aumentou a dificuldade nesta governação?

Não, bem pelo contrário. Tornou-se mais fácil porque partilhamos os mesmos projetos e temos as mesmas prioridades. O PS olha para o território como um todo e não como um somatório de freguesias. Os compromissos que assumimos com os eleitores nas eleições são partilhados entre as candidaturas, de freguesia e a municipal. Variam apenas alguns investimentos locais ou de apoio a instituições locais, mas as linhas de intervenção estratégicas são comuns, como o MOB+, a requalificação dos centros cívicos e as políticas de apoio social, entre outros.

E o que falta ou ficou por fazer?

O projeto de desenvolvimento de um território não tem início nem fim: é um trabalho contínuo e preferencialmente de continuidade. Creio que estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance. Se gostava de fazer mais? Obviamente que sim. Mas as condicionantes jurídicas, administrativas e financeiras não permitem. Os recursos humanos e financeiros não são ilimitados, se o fossem não seria necessário tomar decisões e fazia-se tudo. Apesar de termos conseguido apoios comunitários avultados, os recursos financeiros disponíveis para assumir a comparticipação nacional, é limitada e insuficiente para os projetos que queremos concretizar. Por isso, por cada decisão de investimento, há um outro que, infelizmente, é adiado.

Este novo mandato terminará em 2024, ano em que as autárquicas de 2025 estarão já a ser disputadas.

O Patrocínio Azevedo era o líder do PS quando conquistaram a Câmara Municipal. Era líder do PS quando venceram todas as juntas, conquistando todas as mesas de voto. Como olha para 2025, ano em que além de substituir Eduardo Vítor Rodrigues, terá também de substituir 12 presidentes de junta (21 novos nomes se olharmos à desagregação)?

Os estatutos determinam que os mandatos para a concelhia são de dois anos, mas já aconteceu, no passado, os atos eleitorais serem adiados por razões de calendário político. Tal pode voltar a acontecer, pois em 2025 teremos, obrigatoriamente, a mudança de muitos autarcas municipais e de freguesia por limitação de mandatos. 

No entanto, isso para mim não é determinante, pois é óbvio que a preparação das autárquicas para 2025 terá de começar já no início do próximo ano. 

Será esta comissão política concelhia a preparar as Autárquicas de 2025, tal como assumi na minha apresentação, no dia seguinte à tomada de posse.

Partindo do princípio que a desagregação de freguesias avança, e que passaremos a 24 freguesias, teremos de preparar 26 equipas: uma para a Câmara, outra para a Assembleia Municipal e 24 para as freguesias. 

A sua pergunta pessoaliza os combates, mas as eleições vencem-se com equipas coesas, unidas, determinadas e com projetos consensualizados com a sociedade civil. Será dessa forma que o faremos.

As Eleições Autárquicas de 2025 são um grande desafio, mas acredito que com humildade e com a dedicação que mantemos desde 2013, os gaienses voltarão a dar-nos o seu voto de confiança.

Patrocínio Azevedo na apresentação da sua recandidatura ao PS Gaia

Falou em 24 freguesias? Está consensualizada a desagregação de Pedroso e Seixezelo?

O partido tem uma orientação política bem clara: voltar ao mapa de 2013, ou seja, as 24 freguesias.

Mas, assumimos com os gaienses que os ouviríamos e, caso a sua vontade seja manter a agregação, tal acontecerá.

Auscultadas as populações, a vontade de se desagregarem é clara e inequívoca, em todos os casos, com exceção da União de Freguesias de Pedroso e Seixezelo.

Em Seixezelo existem dúvidas, que serão esclarecidas brevemente. As reuniões públicas foram inconclusivas, pois existe uma divisão de opinião. Posteriormente, numa assembleia municipal foi dado a conhecer a existência de um abaixo-assinado, com mais de 600 assinaturas, a defender a desagregação. Perante este cenário, em que as dúvidas persistem, os próximos dias serão determinantes para clarificar este assunto. 

Disse na apresentação da sua candidatura ser a pessoa mais bem preparada para liderar o PS Gaia”. Pensa o mesmo em relação à substituição de Eduardo Vítor Rodrigues na presidência? Afinal foi seu Vice-presidente ao longo desta caminhada.

Sinceramente, acredito ser a pessoa mais bem preparada para liderar o PS Gaia, pois conheço o partido e os militantes melhor do que ninguém. Tenho uma forma de ser e de estar que me permitem, com alguma facilidade, obter consensos e compromissos entre todos. Tenho também um pensamento muito claro sobre os desafios futuros e já dei provas que consigo ultrapassar as adversidades que vão surgindo. 

É um orgulho ter sucedido ao Eduardo Vitor na concelhia e ter dado seguimento ao trabalho que iniciou. Para mim, a política, é um trabalho de constante continuidade, onde se passa o testemunho ao próximo. Recebi a passagem de testemunho das suas  mãos e farei o mesmo ao camarada que me suceder, acreditando que a minha ação política acrescentou valor.

No panorama autárquico, sou vice-presidente desde 2013, cargo que ocupo com muito orgulho e que é o meu principal foco. Todos os dias trabalho para fazer mais e melhor do que no dia anterior. Todos os dias trabalho para não defraudar as expetativas dos gaienses. Esta é a minha forma de retribuir o voto de confiança que nos foi dado em 2013, 2017 e 2021. Este é o meu desafio.

Ainda é muito cedo para falar da transição. Na política, três anos é uma eternidade e só teremos futuro político, depois de 2025, se mantivermos, até lá, o trabalho, a dedicação e o foco no projeto Dedicados a Gaia. Esse é o meu compromisso com os Gaienses.

O facto de Eduardo Vítor ser o seu mandatário, de ser lista única e de ter contado com a presença de todos os presidentes de junta, na apresentação, não demonstra uma espécie de concordância de todos para que assim seja?

Existe uma grande coesão e união interna que é bem evidente, tal como já referi ao longo desta entrevista. Eduardo Vítor Rodrigues ser o mandatário é natural, uma vez que partilhamos um caminho em comum há mais de 20 anos, nove dos quais como vice-presidente da Câmara que lidera.

A presença de todos os presidentes de junta é a evidência de que se identificam com o projeto político que lidero. A prova de que acreditam na moção estratégica que apresentei para o futuro. 

A forte presença de militantes na minha apresentação é um sinal de concordância com a estratégia política, identificando-se com a minha liderança e com a minha capacidade para preparar as Autárquicas 2025. Fazer outras leituras é criar ruído, sendo ainda muito cedo para pessoalizar. O futuro prepara-se com pessoas e projetos e não com nomes de candidatos apresentados extemporaneamente. 

Eduardo Vítor Rodrigues foi o mandatário de Patrocínio Azevedo

Ainda neste campo, todos os líderes de secção eleitos, após a eleição, colocaram nas redes sociais de cada uma das secções “a sua imagem”. Este facto reforça a união em torno da sua pessoa para as batalhas que se avizinham?

Todos os secretários coordenadores subscreveram a minha moção política “Gaia, compromisso presente e futuro. Por isso, a imagem não é minha: é de todos.

“Gaia, compromisso presente e futuro” é o projeto político partidário que todos partilhamos e que nos une para os combates futuros. O objetivo não é unir os militantes em torno da minha pessoa, mas sim do projeto que lidero.

Na política, os projetos não podem, nem devem, ser pessoais. Devem ser coletivos e partilhados, com cada um de nós a colocar os interesses coletivos acima dos pessoais. Só assim teremos futuro. 

As autárquicas de 2025 marcam o fim de um ciclo. Recentemente, tivemos também Luís Filipe Menezes a mostrar interesse neste ato eleitoral. Serão garantidamente umas eleições com um grau de dificuldade muito diferente das de 2017 e de 2021?

2025 não ditará o fim de nenhum ciclo. Será um momento de passagem do testemunho no projeto “Dedicados a Gaia”, que se iniciou em 2013 e pretendemos que se mantenha depois de 2025.

Para tal, é necessário manter o foco no trabalho autárquico e corresponder às expectativas dos gaienses. Este foi o pedido que fiz aos atuais presidentes de Junta e demais eleitos. Se formos capazes de manter a mesma dedicação, proximidade e humildade, creio que somos merecedores da confiança dos gaienses.

Estamos cá para servir e não para nos servir, sendo Gaia o compromisso, sem estarmos dependentes de estratégias ou da escolha de “putativos” candidatos adversários. 

De forma direta, admite ir a votos, enquanto cabeça de lista do Partido Socialista, à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia em 2025?

Deixo esta resposta para daqui a um ano e meio, este mandato autárquico ainda está a começar, o foco neste momento é o compromisso que assumimos com os Gaienses nas eleições de 2021.

A minha prioridade é continuar a trabalhar em Gaia e por Gaia, todos os dias.

Nessa altura, o partido avaliará quem reúne as melhores condições para liderar o projeto e fará a sua escolha. A mim, cabe-me estar preparado e disponível para os desafios que o partido entender confiar-me.

Patrocínio Azevedo é apontado como hipotético sucessor de Eduardo Vítor Rodrigues

Para quem não o conhece, quem é o Patrocínio Azevedo? Ou o Miguel, como é carinhosamente tratado na sua terra?

Um homem feliz, casado, pai de 2 rapazes, engenheiro de profissão e com o privilégio de servir o meu concelho há 9 anos, enquanto autarca.

Sou um autarca por paixão, desde muito novo quis participar no desenvolvimento da minha terra. Para mim ser autarca é servir os outros, é trabalhar para o bem comum.

Desde muito novo estou ligado ao movimento associativo, de onde destaco a Olival Social, associação para o desenvolvimento de Olival, da qual sou sócio fundador e fui presidente da direção durante mais de 12 anos. Com um grupo de olivalenses constituímos esta IPSS para servir a comunidade local que carecia de infraestruturas e respostas sociais. Começamos do zero e hoje é uma instituição de referência.

A vontade de fazer, de contribuir para o desenvolvimento da minha terra, levou-me a abraçar vários projetos ao longo da vida e espero poder abraçar muitos mais.

Mas sem sombra de dúvidas, o projeto “Dedicados a Gaia” foi e é o mais desafiante de todos, pela dimensão do território, pelos constantes desafios que temos de superar e pelas potencialidades que temos de trabalhar. Um desafio constante e permanente. 

O que me move não são cargos ou lugares, não sairia de Gaia para qualquer outro lugar. O que me motiva é a oportunidade que tenho de, com o meu trabalho, contribuir para o desenvolvimento de Gaia e para o bem-estar dos gaienses. 

Para responder diretamente á pergunta, sou um homem feliz. A minha felicidade resulta da minha família, dos meus amigos e da oportunidade que tenho de poder servir os outros, enquanto autarca, e de os tentar fazer felizes.

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