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Quinta-feira, Junho 17, 2021
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Em Vila Nova de Gaia há uma Escola Oficina que já inspirou os árabes de Omã

Estojos, ementas para hotéis ou máscaras de proteção individual com certificação nacional e europeia são alguns dos materiais produzidos na Escola Oficina de Vila Nova de Gaia, um projeto social que já inspirou o reino de Omã.

A Escola Oficina, que nasceu em 2015 no empreendimento de habitação social do Balteiro, freguesia de Vilar de Andorinho, é um projeto social promovido pela empresa municipal Gaiurb – Urbanismo e Habitação, em parceria com a câmara de Vila Nova de Gaia e com a Escola Artística e Profissional Árvore.

“O principal desígnio é criar pontes para o emprego através da capacitação e do desenvolvimento de novas tarefas profissionais, mas sempre com a perspetiva da sustentabilidade ambiental e financeira”, descreve à agência Lusa o presidente da Gaiurb, António Castro.

Ao longo destes cinco anos, a Escola Oficina – que tem instalações na rua Virgílio Ferreira, em Mafamude, no ‘coração’ de Vila Nova de Gaia – acompanhou 4.752 pessoas (3.787 acompanhadas na área da formação/capacitação e 971 na área do emprego), produziu mais de 32.000 artigos provenientes da reutilização de lixos industriais, dos quais comercializou cerca de 90% (29.738) e criou 6.838 novos artigos.

As principais oficinas são a costura e a cartonagem, mas o projeto inclui um Laboratório de Multimédia, no qual podem ser criados ‘sites’, lojas ‘online’, vídeos promocionais ou linhas gráficas.

António Castro destaca o facto da Escola Oficina “já se ter tornado, de alguma forma, uma espécie de ‘case study’ para as pessoas que ali aprendem e se formam numa determinada área, tornando-se autónomas ao ponto de criarem o seu próprio negócio”.

“Já criamos alguns empreendedores de sucesso”, diz o responsável da Gaiurb, empresa municipal que gere os empreendimentos sociais de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, nos quais vivem cerca de 8.000 pessoas.

Mas não é só quem ali trabalha que se tem sentido inspirado. A 13 de janeiro, uma delegação da Be’ah, entidade governamental responsável pela gestão de resíduos em Omã, país da Península Arábica localizada no Golfo Pérsico, visitou a Escola Oficina da Gaiurb.

A deslocação do grupo surgiu na sequência da consultoria técnica em educação ambiental realizada naquele país do Médio Oriente pela SUMA, que também é parceira da Gaiurb neste projeto de sustentabilidade ambiental e de responsabilidade social.

“Existem objetivos e eixos de ação, mas acima de tudo estão pessoas. Queremos capacitar as pessoas para que fiquem autónomas, consigam emprego ou criem autoemprego. E ao projeto juntam-se as componentes ambiental e económica”, refere António Castro, acrescentando o objetivo de “alertar para uma cidadania consciente”.

Todos os artigos produzidos na Escola Oficina têm origem em aproveitamento de desperdícios de indústrias de resíduos e indústrias têxteis da Área Metropolitana do Porto. Além da SUMA, também são usados materiais de empresas como a Lofaltex, a MCS Textile Solutions, a Santos & Passos, e da Lidador.

Estojos, blocos de notas, porta-chaves, pastas para ‘tablets’, ementas e pendurantes para hotéis, forras de cadeiras ou máscaras de proteção individual com certificação nacional e europeia, são alguns dos produtos criados na Escola Oficina de Vila Nova de Gaia.

“Se pensarmos num dos eixos do Roteiro da Neutralidade Carbónica para 2050 – o pensar global e à microescala para agir local – esta escola enquadra-se perfeitamente porque, acompanhadas por uma equipa multidisciplinar, quem trabalha na Escola Oficina, num projeto com abordagem muito simples, mas também muito operacional, pega no que era a indústria tradicional, dar-lhe uma componente mais artística, graças à parceria com a Árvore, junta a sustentabilidade e tudo se resume em economia circular levada ao expoente máximo.”, descreve António Castro.

Já no que diz respeito a clientes que procuram os produtos da Escola Oficina, são exemplos: a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, a Quinta de Ventozelo Hotel & Quinta, o El Corte Inglês, e a própria SUMA.

“Tenderemos a evoluir para o modelo de incubação para pessoas que têm cariz empreendedor. No fundo o futuro passa por limar as arestas do projeto cuja missão é a integração social, a qualificação de pessoas que normalmente estão em situação de exclusão social”, diz o presidente da Gaiurb, apontando que a Escola Oficina é “quase autossustentável a nível financeiro” e tem vindo a mostrar resultados no “aumento da autoestima e confiança” de quem integra o projeto.

Já informação remetida à Lusa especifica que o modelo implementado no projeto Escola Oficina visa também a promoção de mudanças estruturais que propaguem a capacitação individual e coletiva, no sentido de encontrar soluções para os diversos problemas, dos quais se destacam o desemprego e os jovens NEET [Not in Employment Education or Training], o equivalente em português ao conceito “população jovem fora do mercado de trabalho e de instituições educacionais”.

Devido à pandemia da covid-19, as atividades decorrem atualmente com medidas de proteção e em horários em espelho.

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