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Segunda-feira, Maio 10, 2021
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Duas dezenas de estafetas de entregas ao domicílio protestaram no Porto

Cerca de duas dezenas de estafetas que trabalham para as plataformas de entregas ao domicílio concentraram-se na passada quinta-feira, dia 22, junto à sede da Uber, no Porto, para exigir o aumento das comissões de serviço, segurança e proteção no trabalho.

Durante a ação de protesto, convocado pelo STRUN – Sindicato Transportes Rodoviários Urbanos Norte para denunciar “um conjunto de irregularidades no setor”, foi aprovada uma resolução a entregar à Uber, onde os trabalhadores defendem o fim da precariedade.

Os estafetas ao serviço das empresas Uber Eats e Glovo denunciam a exploração levada a cabo por estas plataformas digitais e ausência de proteção e segurança no trabalho, exigindo o aumento “imediato” das percentagens da prestação de serviço, “de modo que o rendimento dos trabalhadores cresça”.

Pedem ainda que sejam as plataformas a assegurar os custos de manutenção dos meios utilizados para as entregas ao domicílio, bem como os seguros de trabalho “assumindo a responsabilidade por quaisquer acidentes de trabalho”, como o que aconteceu em Lisboa e vitimou mortalmente um trabalhador, no dia 17 de abril.

Os trabalhadores contestam ainda o poder unilateral destas plataformas para aplicar penalizações ou bloqueios, e pedem que sejam encontradas formas de evitar que os estafetas sejam prejudicadas por “burlas”, como aconteceu como Tiago Jardim cuja conta foi bloqueada por causa de fraude e cuja situação motivou a concentração.

Trabalhador na Uber Eats há três anos, Tiago explicou que provou a existência de uma burla por parte de um cliente e ainda assim a empresa suspendeu a sua conta, impedindo-o de trabalhar.

Há um ano e 9 meses, em Portugal, Samuel Ginestet acusa estas empresas de tratar os estafetas “como descartáveis”, não dando qualquer apoio ou suporte.

A gente é tratado como totalmente descartáveis, a gente só quer poder se amparado em algum direito, eu também quero puder tirar uns dias de férias, mas eu não posso porque a plataforma trabalha com ganho diário, se eu não trabalhar eu não recebo”, disse.

Num dia de semana um estafeta tem de trabalhar em média entre 08 a 12 horas para fazer cerca de 30 a 40 euros, sendo que com este valor ainda tem de cobrir os custos da manutenção do equipamento.

Ao fim de semana, os valores aumentam para os 70 euros, mas o número de horas ao serviço pode chegar às 16/18 horas.

A trabalhar para a Uber Eats e a Glovo à cerca de um ano, José Pedro Faia, que assumiu a liderança do protesto de hoje, salientou que em causa está uma comunidade com milhares de trabalhadores que muitas vezes “trabalham o dia todo para não receber nada ou muito pouco”, e que não tem, direitos, são muitas vezes despedidos sem justa causa.

“As empresas transferem para nós, os riscos associados a este tipo de negócios multimilionários. Se o negócio vai mal ou há pouca demanda fomos nós que ficamos nós que ficamos nas ruas gastando o nosso tempo, o nosso dinheiro e arriscando a nossa própria segurança”, denunciou.

O protesto, explicou, pretende alertar para esta realidade, mas também preparar futuras ações de protesto para denunciar as condições de trabalho precárias dos estafetas que trabalham para estas plataformas digitais de entrega ao domicílio.

Solidário com os trabalhadores, o presidente do STRUN, José Manuel Fernandes, disse que o sindicato vai continuar a acompanhar estes trabalhadores, sublinhando, contudo, que é necessária uma intervenção do Governo que garante direitos laborais a estes trabalhadores.

“Estes trabalhadores não têm fundo de desemprego, não podem estar doentes, não podem dar apoio à família, não tem direito parentais, não tem nada”, disse, acrescentando que “estes trabalhadores no fundo nem são trabalhadores, nem são empresários”

Acresce que, a percentagem que os trabalhadores auferem é comparativamente plataforma muito menor, sendo que o único encargo que a empresa tem prende-se com o custo de um seguro que cobre a viagem até à entrega da encomenda.

O regresso do estafeta, indicou o dirigente, já não está coberto pela apólice, denunciou.

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