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Vila Nova de Gaia
Quarta-feira, Abril 14, 2021

As crónicas da minha terra

Benjamim Almeida

Natural de Sandim

A Rota dos Moinhos

Esta semana vou fazer, à minha maneira, um pequeno roteiro dos moinhos.

Começamos em direção ao lugar de Sá, onde veremos aparecer a antiga Escola de Sá e onde, mesmo ao lado, existe a rua das Arroteias, que nos leva em direção ao rio Uíma.

Em tempos, o Rio Uíma era afamado pelas suas trutas e bogas, mas a poluição tudo levou. À falta de melhor, imagine-as saltando o açude ou abocanhando um inseto, que é sempre uma imagem bonita.

Seguimos depois até à ponte de madeira, onde podemos cruzar o rio e observar de perto o Moinho de Gassamar, uma das relíquias que já não se encontra em atividade, tal como o canal tributário, com o seu belo conjunto de pontezinhas em pedra.

De regresso à ponte, seguimos em frente, por um caminho a subir com cerca de 50 metros, que conduz à Fonte das Arroteias, que vai deitando uma muito boa e procurada água.

Viramos depois pelo caminho da esquerda na ponte, mergulhando num belo bosque desembocando num caminho que nos conduz a uma ponte, a Ponte de Carro. Este caminho faria parte da antiga estrada Porto-Viseu, provavelmente de origem romana. Ao lado situa-se o hipódromo de Sandim.

Mais à frente outro moinho, o Moinho da Ribeira, desativado e com as suas mós encostadas à parede.

Chegados à estrada, continuamos o percurso paralelamente ao rio até à Ponte de Sá, onde se situa a antiga fábrica de papel. Desfrutamos da sua beleza e calma, que se desprendem do local antes de seguir em frente, pela estrada, em direção ao lugar de Chão de Moinho, onde existem quatro moinhos, três dos quais pertencentes à família do senhor Manuel Príncipe.

Na casa contígua mora o falecido Sr. José Ramos, conhecido por Sr. Batista, que mantinha com um carinho vigilante o seu moinho e canal em perfeitas condições de funcionamento.

Continuamos depois pela estrada e cruzando mais uma vez o Rio Uíma, subimos e encontramos “O Engenho”, uma antiga fábrica de papel, cuja força motriz era a água do rio e onde se produziu o primeiro papel selado do nosso país, há cerca de duzentos anos. Essa fábrica, já desativada, situa-se dentro duma quinta, onde encontramos mais dois moinhos, separados por uma ponte, em que juntos fazem uma belíssima imagem.

E escrevo este pequeno roteiro para chamar a atenção dos governantes da nossa freguesia, que ainda nas últimas eleições autárquicas prometeram colocar em prática o Projeto de Requalificação dos Moinhos de Sandim e freguesias circunvizinhas, conhecido como a Rota doa Moinhos.

Quer parecer que foi mais uma vez só a mesma promessa, que já conheço há mais de vinte anos, mas sempre sem ver ninguém a fazer nada para que seja possível restaurar esta parte da nossa história, já que os Moinhos foram um fator muito importante no desenvolvimento económico e social de Sandim.

Mas como não sou só eu a estar atento a esta realidade, descobri numa página de Facebook, um antigo moleiro a fazer um apelo aos nossos autarcas para que pensem bem neste caso e que passo a transcrever:

“Venho desde já chamar a atenção a quem de Direito, para a Realização dum Projeto de Requalificação dos Moinhos de Sandim e freguesias circunvizinhas de Gaia. Este projeto tem como objetivo a recuperação dos Moinhos e aproveitamento de terrenos envolventes.

Tal recuperação, em conjunto com a limpeza do meio ambiente, poderia vir a dar um belo parque de lazer, o que viria a enriquecer Sandim a nível turístico e cultural.

Não deixem morrer, o que fora em outrora, a história da indústria artesanal [moagem]. Célebres Moleiros que transformavam o cereal em farinha, fazendo assim o pão, este, que em tempos fora considerado um bem essencial das nossas famílias. Eu José Nunes, que em meu nome falo [ex. – moleiro de profissão], proprietário de um moinho que infelizmente não está ativo, alerto para que tal acontecimento não fique esquecido, o qual, fez parte da história dos meus antepassados.

Desde já agradeço vossa colaboração e espero que com tal chamada de atenção obtenha resultados.»

Temos, pois, obrigação de não deixar cair no esquecimento algo que faz parte da nossa história coletiva.

Um abraço

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