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Vila Nova de Gaia
Segunda-feira, Agosto 8, 2022

Utentes insatisfeitos com autocarros em Gaia 

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Longos tempos de espera, incumprimento de horários e supressão de carreiras em determinados períodos são algumas das queixas dos utentes de transportes em Vila Nova de Gaia. Impugnações em tribunal fazem com que se arraste o problema que afeta milhares de gaienses diariamente.  

As queixas repetem-se: horários que não são cumpridos, redução de carreiras e de frequência dos autocarros, viaturas que simplesmente não chegam, deixando os utentes entregues à sua sorte. A situação adquire particular gravidade com operadoras de autocarros privadas, cujo serviço se degrada de dia para dia. O concurso da Área Metropolitana do Porto (AMP) realizado em 2020 atribuiu a operação de transportes públicos em Gaia à empresa Feirense/Bus On Tour, mas a contestação das outras empresas que operam no concelho (UTC, Espírito Santo e MGC) criou um impasse que impede o início da atividade da empresa vencedora, ao mesmo tempo que as empresas contestatárias continuam a operar com grandes falhas.  

Um dos grandes críticos desta situação tem sido o PCP, que organizou, nos últimos tempos, dois protestos exigindo melhores transportes em Gaia, um na rotunda de Santo Ovídio e o mais recente em Avintes, onde a localização não foi deixada ao acaso – concentraram-se no largo onde se situa a MGC, empresa que suscita a maior parte das queixas no concelho.  

No protesto em Santo Ovídio, chegámos à fala com Paula Baptista, deputada da CDU na Assembleia Municipal de Gaia, que lamenta a falta de respostas: “Continuamos a não ver resolvida a questão, quer no interior do concelho e nas freguesias mais periféricas, quer nas freguesias mais urbanas. Estamos neste momento a assistir um recuo dos avanços que foram feitos nos transportes com o passe único. Os STCP não dão resposta a estes problemas, e os operadores privados muito menos.” Paula Baptista defende que a lei tem de ser alterada para permitir a internalização das empresas e o alargamento dos STCP a toda a população, e que isso só ainda não foi feito por “má vontade política”. Revela ainda preocupação com o lado ambiental da questão: “a descarbonização exige uma resposta integrada”, que cative as pessoas para o uso de transporte público, “mas para isso tem de haver transportes de qualidade, com frequência e horários adequados à população. É preciso investimento do Estado central.” Sem isto, diz, as pessoas ficam reduzidas à utilização do seu veículo – os que o têm.  

Também António Pinto, que encontramos ali ao lado, numa paragem de autocarro, se mostra preocupado com a utilização excessiva dos carros: “Os transportes não satisfazem as necessidades da população porque não têm espaço para andar, anda quase tudo de carro, é um trânsito que não se pode. Deviam era proibir os carros de andar só com uma pessoa. Há uma grande falta de organização.” Outro utente, Helmiton, espera o autocarro 44 da Espírito Santo para regressar a casa, o que nem sempre se afigura fácil. “A maior dificuldade é nos fins de semana, em que só tenho a certas horas do dia com grandes pausas, e ao domingo nem tenho. Nos dias úteis é só das 8h às 19h.” Se tiver de voltar para casa a horas em que já não existe autocarro, vê-se obrigado a apanhar um TVDE ou, na pior das hipóteses, ir a pé. “Depois de um dia de trabalho, ainda ter que andar isto tudo… e o dinheiro que se gasta nas apps [de transportes]… Paga-se o passe para nada”, lamenta. “Os utentes ficam horas à espera, e ai de ti se dizes alguma coisa ao motorista, eles não têm a menor paciência para dar uma informação”. Já alguns motoristas lhe disseram que experimentasse ligar para a empresa, mas o efeito foi nulo: “Ninguém atende e não respondem aos e-mails.”  

O que diz, então, a Espírito Santo sobre estas reclamações, que se ouvem um pouco por todo o concelho? Interpelados pelo Gaia Semanário, dizem que, apesar da redução dos transportes durante a pandemia, estes têm vindo a ser repostos e que se mantêm “atentos à procura” – que, segundo a empresa, tem vindo a crescer. Concordam que é preciso reforçar a oferta, mas que essa é competência é da AMP, “que tem vindo a resistir aos nossos pedidos. Temos discussões nesse sentido que se arrastam há meses.”  
Quanto às falhas de horários, atribuem-nas a constrangimentos de trânsito, e dizem aguardar pelos “prometidos corredores metrobus, que permitirão resolver este tipo de problemas”. Existe também quem se queixe da falta da informação nas paragens. A Espírito Santo diz que é “constrangedor” o estado das placas informativas que colocaram, e que já transmitiram o problema à Câmara, estando a aguardar substituição.  

Já a MGC, a empresa que serve as freguesias de Sandim, Olival, Lever e Crestuma e Avintes – onde mora uma fatia considerável da população do concelho e onde não existe alternativa no que toca a transportes públicos – e que de momento se encontra debaixo de fogo por incumprimento de horários, tendo sido mesmo advertida de que poderia ser-lhe cassada a licença, nega terminantemente todas as acusações: “Não é verdade que tenhamos operado em incumprimento de horários, e muito menos que alterássemos a nossa operação sem aviso prévio ou unilateralmente”. Justificam-se com as férias escolares, que coincidiram com o arranque dos novos horários, e “significam sempre uma redução na frequência em qualquer empresa de transporte”, como fazem questão de sublinhar.   

A MGC acrescenta que, numa tentativa de responder melhor às necessidades da população, propôs à AMP, no início de abril, uma alteração horária, que permitiu colmatar alguns atrasos, face às muitas obras no concelho, mas também o reforço horário em certas zonas geográficas e ao fim de semana, que tinha mais falhas. A última reunião presencial na AMP decorreu a 19 de maio e desta, dizem, “não decorreu nenhum reparo ou necessidade de correção, no que se refere a identificação de incumprimentos de horários”, pelo que consideram que cumprem todos os serviços a que estão obrigados. 

A Câmara de Gaia não ofereceu até ao momento de publicação nenhum comentário acerca da situação dos transportes públicos em Vila Nova de Gaia.  

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