spot_img
9.8 C
Vila Nova de Gaia
spot_img
InícioopiniãoGil NunesPrudência qualificada

Prudência qualificada

Os dados estavam lançados para ambas as equipas: fator físico a pesar no rescaldo de uma jornada europeia que foi exigente para ambos os lados. Para FC Porto e para Sporting de Braga. Se bem que a análise do calendário seja sempre uma condição especulativa, entenda-se como favorável o despique contra o Braga nestas circunstâncias. Não que o FC Porto não tivesse todas as hipóteses noutras circunstâncias. Não que nada se altere. Mas lá que dá jeito lá isso dá…

E o Braga não quis cometer o mesmo erro que cometeu frente ao Benfica. Na ocasião, de forma até radical, os arsenalistas disseram “não” a uma mudança de estilo de jogo e encararam olhos nos olhos uma equipa do Benfica pronta a liquidar os mais atrevidos. Com, na altura, Rafa e Éverton a fazerem das suas, o jogo desaguou numa sucessão de transições que naturalmente colocaram os encarnados em posição privilegiada. Vitória fácil. 

No Dragão, o cenário foi bem diferente. E o FC Porto não quis analisar jogos passados para desde logo assumiu uma postura de prudência qualificada. De prudência tática. Desde logo o acautelamento da zona central, impedindo que André Horta e Al Musraliganhassem a superioridade necessária para fazer a equipa desenvolver o seu jogo baseado na posse. Ou seja, mais valia ter por aquelas bandas um elemento a mais, nem que fosse para puxar a contenda para a sua componente física. Onde os dragões costumam tirar vantagem. 

Mas a questão foi diferente. Com Grujic a assumir uma posição mais de pilar e Vitinhaa soltar-se para acrescentar a criatividade necessária (tal como tem acontecido nos últimos jogos), o papel principal acabou por pertencer a Uribe. Com mais liberdade, o colombiano foi chegando para todos os pequenos incêndios e ainda conseguiu ter a acutilância necessária para se aproximar das zonas de tiro. Jogador determinante numa estratégia que se explicou num ponto fundamental: controlar a zona central para se controlar o crescimento do Sporting de Braga. Depois, os detalhes acabaram por fazer a diferença.

E, como os detalhes não existem no futebol, tudo acabou por resultar numaconsequência natural das dinâmicas. Com o central Paulo Oliveira a subir no terreno e a deixar espaço livre, foi Fabiano quem não compensou e deixou aquela brecha que LuisDiaz não desperdiçou. Um golo que valeu três pontos e que adveio de uma partida com um selo pós-Europa. E uma partida onde o Braga fez um bom jogo: de facto, com a bola nos pés e com espaço para conseguir fazer desenvolver o seu futebol, os arsenalistas têm executantes de grande nível e com capacidade para voar ainda mais alto.

Na sua linha defensiva, o FC Porto vai registando alguns problemas pontuais que, no entanto, não se têm revelado propriamente dramáticos. Desde logo a intermitência de Pepe, situação que provocou uma substituição imediata ainda no primeiro terço da partida. Apesar de Fábio Cardoso estar a dar conta do recado – mais confiante, vai jogando em antecipação e fazendo sair a equipa a jogar – certo é que a equipa carece de mais uma opção na zona central. A possível entrada de Rúben Semedo poderá ter um duplo benefício: em primeiro lugar o reforço do plantel com um elemento dotado de qualidade indiscutível; e, depois, a supressão de uma patologia ligeira que convém eliminar desde já. 

Do lado esquerdo da defesa, também ainda não existe titular indiscutível. No jogo frente ao Braga, a opção por Wendell foi legítima: por questões táticas – menos vertical que Zaidu mas mais cerebral em termos de posse de bola – e também por questões emocionais: mais do que crucificar o atleta, fazia mais sentido dar-lhe um empurrão de confiança para garantir o seu rendimento imediato e futuro. Sim, porque Zaidu e Wendell serão as opções para o lado esquerdo da defesa até ao final da época. Para o bem e para o mal.

A vitória foi a concretização do objetivo e a constatação da plasticidade dos dragões, algo que é extremamente positivo. Afinal de contas nem tudo se plasma num sistema de 4x4x2 que não se consegue transformar consoante o adversário. Frente ao Braga houve 4x3x3, houve 4x4x2, houve Grujic e Uribe a recuarem constantemente para permitir saída a três pela zona central e adiantamento dos laterais. Pois, o resultado foi magromas as conclusões bem gorduchas. Sinais invisíveis que vão capitalizando o FC Porto mais forte dos últimos anos.

spot_img

últimas notícias

outras notícias