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«Arqueobotânica com vista para o Douro: frutos e sementes do sítio do Rei Ramiro, em Vila Nova de Gaia» no encontro de arqueólogos em Palmela

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Arqueólogos reúnem-se, esta semana, em Palmela, numas jornadas aguardadas com expectativa por causa de novidades a apresentar, sobre escavações em Portugal e em Espanha, que permitem perceber elementos menos conhecidos do quotidiano, disse fonte da organização à Lusa.

As jornadas internacionais “Amanhar a Terra. Arqueologia da Agricultura (do Neolítico à Idade Média)” realizam-se a partir da próxima quinta-feira, até sábado, no Cineteatro S. Joâo, em Palmela, no distrito de Setúbal.

Em declarações à agência Lusa, a arqueóloga Isabel Cristina Fernandes, da organização, salientou a importância do tema, numa altura em que “refletimos sobre o que fazer se queremos manter alguma sustentabilidade”, e sabendo que “o sustento [da Humanidade] está, por inerência da sua condição, ligado à terra, à água e aos produtos que elas proporcionam, sejam alimentos ou matérias-primas que transforma, quer a partir da agricultura, quer da pecuária”.

O encontro abre com uma comunicação do investigador Carlos Tejerizo García, da Universidade Euskal Herriko, do País Basco espanhol, intituada “Por qué estudiar el campesinado Altomedieval en el Siglo XXI? Nuevas preguntas, nuevas propuestas”.

Outra comunicação aborda o regadio, uma questão atual no debate ibérico sobre a preocupação com os consumos de água e a sua distribuição.

O investigador José Maria Martín Civantos, da Universidade de Granada, no sul de Espanha, vai falar sobre “Los sistemas históricos de regadío del Sureste peninsular: una opción social y una estrategia campesina de origen islámico”.

Virgílio Lopes, do Campo Arqueológico de Mértola, no Baixo Alentejo, vai apresentar a comunicação “Amanhar e regar a terra. A possível barragem romana do Convento de S. Francisco, em Mértola”.

À Lusa, Isabel Cristina Fernandes referiu os avanços científicos recentes e a interdisciplinaridade que permitem que “conheçamos melhor os hábitos do passado”, nomeadamente através das análises às sementes, que dão informações de “coisas até aqui desconhecidas, como os consumos, a paisagem, a utilização de quais plantas, etc.”.

Um grupo de investigadores nacionais vai apresentar uma comunicação sobre o “Consumo de plantas agrícolas e silvestres em Salreu (Estarreja) durante a Idade do Ferro”.

A plantação intensiva de oliveiras, atualmente em debate na região alentejana, aconteceu também no Império Romano, como demonstrará José Remesal Rodríguez, da Universidade de Barcelona, que falará sobre a “Agricultura extensiva en el imperio romano: el caso del aceite bético”.

Outra comunicação, por um conjunto de investigadores portgueses intitula-se “Arqueobotânica com vista para o Douro: frutos e sementes do sítio do Rei Ramiro, em Vila Nova de Gaia”.

“Neste encontro é esperado que os arqueólogos nos tragam muitas novidades de escavações que estão a decorrer, bem alguns ‘estados da questão’ sobre certas matérias”, ou seja uma súmula dos conhecimentos sobre determinada questão, que permite avançar para novas questões científicas.

Isabel Cristina Fernandes referiu, a título de exemplo, a comunicação de um grupo de investigadores espanhóis sobre “La cerveza pre-histórica en la Península Ibérica. Estado de la cuestión”.

Outra é de Carlos Fabião, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sobre “O vinho na Lusitânia: progresso da investigação nos últimos vinte anos”.

A comunicação sobre uma escavação a decorrer na Andaluzia, em Espanha, vai “certamente trazer novidades”, antecipou Isabel Cristina Fernandes. Trata-se da intervenção de Alfredo Mederos Martín, da Universidade Autónoma de Madrid, sobre as “Estrategias agropecuárias durante el Calcolítico en grandes poblados del Valle del Guadalquivir: Marroquíes Altos y Valencina de la Concepción”, na região espanhola da Andaluzia.

No decorrer do encontro haverá um momento musical pela gaiteira Ana Pereira, que constrói gaitas de foles. Será na sexta-feira, às 18:30.

Haverá também a apresentação de novos projetos, designadamente da coleção “Lisboa Romana: Felicitas Iulia Olisipo”, uma edição da Câmara Municipal de Lisboa e da Caleidoscópio Edições, por António Marques e Cristina Nozes. Será no sábado às 18:15.

Será também apresentada, por João Luís Cardoso, a obra “O sítio arqueológico da Gaspeia e a ‘neolitização’ do território de Alvalade – Sado”, com coordenação de Carlos Tavares da Silva e Joaquina Soares, no sábado às 17:30.

Sobre Lisboa Romana, no âmbito deste projeto de investigação, Lídia Fernandes e Simon Davis irão falar sobre “Alguns animais nas hortas da cidade: a fauna junto ao teatro de Felicitas Iulia Olisipo (Lisboa)”.

O período islâmico em Lisboa é tema de uma outra comunicação, “Vestígios carpológicos recuperados em dois silos islâmicos. Largo dos Loios”, por um grupo de investigadores.

Luísa Batalha e Guilherme Cardoso, do Centro de Arqueologia de Lisboa, apresentam “Da Idade do Ferro à Idade Média – Ferramentas Agrícolas da Região de Lisboa”.

Sobre a região de Palmela, Cleia Detry, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, falará sobre “As espécies domésticas medievais do Castelo de Palmela”, Isabel Cristina Ferreira Fernandes, do Museu Municipal de Palmela, apresentará a comunicação “O Alto da Queimada, Palmela: espaço de vida campesina na Pré-Arrábida do período islâmico (Séc. IX-XI)”.

O período islâmico em Mafra, a norte do Tejo, será abordado pelos investigadores Marta Miranda, Carlos Costa e Ricardo Russo.

Do vasto painel de comunicações a apresentar constam ainda, entre outras, “A exploração agrícola da zona noroeste do território de Coimbra entre os séculos X e XII”, por Gil Vilarinho, da Universidade de Edimburgo, “A exploração agropastoril da margem esquerda do Guadiana na transição do século V ao IV antes de Cristo”, por Rui Monge, do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, “Ecos agrícolas em monumentos epigráficos romanos”, por José d’Encarnação, da Universidade de Coimbra, e “Evidências de produção agrícola em Cascais na Baixa Idade Média: alguns apontamentos”, pelos arqueólogos Tiago Pereira e Vanessa Filipe.

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