Ponte D. António Francisco dos Santos deverá estar concluída...

Ponte D. António Francisco dos Santos deverá estar concluída em 2025

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CDU/Porto manifesta “muitas dúvidas” sobre nova ponte sobre o Douro e PSD fala em desigualdades entre os dois municípios, “alegando que Vila Nova de Gaia sai prejudicada”.

Está dado mais um passo para a construção da ponte D. António Francisco dos Santos. Em reunião extraordinária do executivo, realizada na passada quinta-feira, a Câmara Municipal de Gaia aprovou o lançamento do concurso público internacional para a conceção e construção desta nova infraestrutura, que terá dois anos de edificação, prevendo-se que esteja concluída e operacional em 2025.

Trata-se de uma nova travessia rodoviária sobre o rio Douro, a montante da ponte Luís I, entre as pontes do Freixo e de São João, com uma extensão total de 625 metros, 300 dos quais sobre o rio, e um perfil transversal do tabuleiro de 21,50 metros. Assim, a nova travessia servirá para tráfego automóvel, transportes coletivos e meios suaves, sendo ainda sugerida a instalação de uma via ciclável bidirecional e passeios nos dois lados.

A data escolhida não foi fruto do acaso, como explicou Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia: “sabe-se que D. António Francisco dos Santos era um Bispo Mariano e, portanto, esta reunião, em ambos os municípios, foi extraordinária para marcar simbolicamente esta data”, acrescentando: “pretendemos que, além de ser uma obra de arte, a nova ponte sirva de forma muito importante a mobilidade entre as duas cidades, à cota baixa, ajudando, ainda, ao desenvolvimento de duas zonas que têm sido mais adiadas, como a de Campanhã ou a de Quebrantões”.

Relativamente aos valores em causa, a componente da ponte custará cerca de 16,8 milhões de euros (divididos entre as duas autarquias), somando-se os valores para construção do tabuleiro já em área seca e as infraestruturas rodoviárias de acessos (cada autarquia fica responsável pelos seus custos). Por conseguinte, a Vila Nova de Gaia caberá pagar cerca de 21 milhões de euros, o que inclui metade do valor do tabuleiro sobre o rio, ligações rodoviárias e construção em área seca. Por sua vez, ao Porto caberá pagar o mesmo valor relativo ao tabuleiro e seis milhões em acessos. A infraestrutura perfaz um valor total de cerca de 36,9 milhões de euros.

Por outro lado, no que se refere a localizações, a norte a ligação será feita à avenida Paiva Couceiro, ao passo que a sul, em Gaia, a ligação será à rotunda Gil Eanes. Aqui, a introdução de um eixo concelhio complementar, promovendo a ligação da cota superior da zona de Quebrantões à cota inferior, com atravessamento do rio Douro, é uma previsão do Plano Diretor Municipal, sendo que a localização agora prevista assegura dois objetivos relevantes, nomeadamente: a ligação do atravessamento do rio (à cota baixa) à rotunda Gil Eanes e à Avenida D. João II, promovendo a conexão a toda a envolvente ao eixo da Avenida da República; e a futura ligação do atravessamento do rio (à cota baixa) ao nó de Quebrantões da A44/Via de Cintura Interna e, a partir daí, à futura VL10, eixo concelhio estruturante previsto que promoverá a ligação deste nó de Quebrantões à EN222 e à A29 no nó de Jaca, reestruturando por completo a rede viária da freguesia de Oliveira do Douro.

“Gaia sai claramente prejudicada”

O Grupo de Vereadores do PSD na Câmara de Gaia votou favoravelmente a proposta de construção da futura ponte D. António Francisco dos Santos e respetivos acessos, por entender “que se trata de um investimento estruturante para o concelho”, na reunião extraordinária desta quinta-feira, lamentando, no entanto “que este projeto não tenha sido totalmente transparente desde o início, sobretudo em matéria de estimativas e repartição de custos”.

Recordaram os vereadores laranja que, em abril de 2018, “os presidentes das câmaras do Porto e de Gaia anunciavam a construção de uma nova ponte, à cota baixa, com um custo de 12 milhões de euros, integralmente assumidos, em partes iguais, por ambos os municípios”.

Agora, afirmoam os vereadores do PSD lamentar que, “em vez dos custos da travessia serem repartidos equitativamente entre os dois municípios, afinal, na prática, Vila Nova de Gaia a Gaia pagará 60 % do custo total de obra, enquanto o Porto suportará apenas 40 %.”Dizem ainda que “tendo em consideração a utilidade prática de uma ponte, ainda que haja um custo adicional do lado de Gaia, ambos os municípios retiram vantagens iguais com a reciprocidade do atravessamento”, e que por isso mesmo consideram “não fazer sentido esta desigualdade na repartição de encargos.”

Ainda para os Vereadores do PSD, “quer pela distância quer pelas conexões viárias previsíveis, não é plausível que a nova travessia constitua uma alternativa viável ao tráfego que atualmente utiliza o tabuleiro inferior da Ponte D. Luís, como a própria proposta reconhece.”

“Tenho muitas interrogações em relação a este projeto porque não é um processo claro”, disse Ilda Figueiredo.

A vereadora da CDU na Câmara do Porto, Ilda Figueiredo, reconheceu a “necessidade” de novas ligações entre as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, mas assumiu “muitas dúvidas” sobre a nova travessia rodoviária sobre o Douro.

Ilda Figueiredo lamentou “todo o percurso” relativo à nova ponte e a ausência de um debate informado sobre o projeto, nomeadamente em questões como a localização ou custo.

Dizendo ter sido confrontada com uma decisão já tomada, a vereadora considerou que este é um assunto que deveria ter sido objeto de uma “discussão aprofundada” tendo em conta as suas consequências para o futuro.

“É inadmissível que este processo tenha tido este percurso, ou seja, sem estar previsto no PDM [Plano Diretor Municipal], ter surgido em 2018 com um projeto completamente diferente do atual e não se tenha discutido e apresentado nos órgãos autárquicos as alternativas várias para discussão em torno das melhores soluções e que, entretanto, surjam soluções com orçamentos”, frisou.

Esta nova travessia deveria estar enquadrada numa estratégia de planeamento urbano e num plano de mobilidade porque vai determinar o fluxo de trânsito e a futura mobilidade na região, sublinhou.

“E, isso, não foi feito”, vincou.

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