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As crónicas da minha terra

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Benjamim Almeida

Natural de Sandim

As antigas fábricas de cartão

Em Sandim sempre houve alguma indústria, mas, a que ao longo dos anos mais se destacou e se tornou mais importante, foi a indústria da cartonagem, que durante longos anos deu emprego a centenas de pessoas da nossa freguesia e freguesias vizinhas.

Na freguesia de Sandim havia 7 fábricas, de seu nome, Coelho dos Santos, no lugar de Chão de Moinho, Alexandrino Pais da Silva, no Lugar de Sá, Orlando Pais Lopes no Lugar da Retorta, Hilario Marques, no Lugar do Crasto, família dos Coutos, na Azenha, fábrica do Batista, no lugar de Entre Águas e Nunes Pedrosa, na Azenha.

Numa das fábricas, onde trabalharam também a minha mãe e as minhas tias, os empregados eram constituídos, na sua maioria, por mulheres.

Ali, a distribuição do trabalho não se fazia atendendo à faixa etária ou condição física, mas tendo atenção ao sexo de cada um. Os homens trabalhavam nas máquinas e as mulheres faziam a escolha da matéria-prima (papel velho) e a secagem do papelão, que sendo bastante pesado para a maioria das mulheres, originava bastantes lesões ao nível dos ossos.

Nos anos 70, princípio dos anos 80, o salário médio das mulheres era de 5000$00 e o dos homens um pouco superior, andando perto dos 6000$00.

Como a maioria das fábricas estava situada junto ao rio Uima, aproveitavam no Inverno a força matriz das águas para fazer movimentar as turbinas, poupando assim na eletricidade, necessária a movimentar essas mesmas máquinas no Verão. A água do rio era fundamental para a laboração das fábricas e, importa referir, que as máquinas eram bastante antiquadas e não usavam produtos químicos.

Com a evolução do nosso país e a entrada em crise da indústria do papel, as fábricas da minha terra não conseguiram acompanhar essa mesma evolução e foram todas por ‘’água abaixo’’, perante a tristeza de quem deu para lá, uma parte importante da sua vida.

Hoje, além de já não existir nenhuma destas empresas em elaboração, os seus edifícios estão todos ao abandono e em ruínas. Tal como nos diz um antigo ditado, “tudo vai atrás do seu dono”.

Um abraço

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