arquivoSindicato denuncia precariedade de enfermeiros no hospital Gaia/Espinho

Sindicato denuncia precariedade de enfermeiros no hospital Gaia/Espinho

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O Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (SINDEPOR) denunciou “situações de precariedade e injustiça laboral” no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E), acusando-o de se preparar para “descartar os heróis dos últimos meses”.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador Norte do SINDEPOR, Tiago Ramos, disse que “mais de três dezenas de enfermeiros” do CHVNG/E “estão em risco de perder o trabalho” devido a contratos de substituição.

O sindicato juntou à denúncia situações relacionadas aos chamados “contratos covid”, também conhecidos por “quatro+quatro”, que equivalem a contratos de quatro meses renovados por período igual, um modelo criado com a pandemia.

“Há várias situações de precariedade e irregularidades”, frisou Tiago Ramos, adiantando que o sindicato está a fazer um levantamento das situações e vai pedir uma reunião com o conselho de administração do hospital.

“Temos sentido uma boa abertura [do conselho de administração]. Vamos ver qual a estratégia que têm para regularizar as situações”, referiu o coordenador Norte.

Segundo o SINDEPOR, no que diz respeito aos contratos de substituição, “alguns enfermeiros estão há mais de dois anos a trabalhar no CHVNG/E”, o que “mostra que são necessários”, mas “estão em risco de verem cancelados os seus contratos”.

Sobre os “contratos covid”, o sindicato admitiu que alguns profissionais foram admitidos em outubro, conforme foi orientação da tutela, mas exige que o mesmo aconteça com os restantes.

“Em outubro, quem já estava no hospital passou a efetivo, mas isso trouxe uma injustiça. Os recentes ficaram com vínculo definitivo, mas outros [dos contratos de substituição], que estavam há mais meses, não entraram”, referiu Tiago Ramos.

O sindicalista também falou de um processo de recrutamento em “irregularidades nos processos de recrutamento” do centro hospitalar, apontando casos de enfermeiros que “terão dois anos de serviço na casa, mas sem vínculo efetivo, e ficaram abaixo de outros candidatos sem o mesmo tempo de serviço”.

Tiago Ramos também relatou o caso de uma enfermeira “excluída” do processo de recrutamento por não ter podido ir à entrevista devido a um isolamento profilático após contacto de alto risco com um infetado com o novo coronavírus, algo que o sindicato considera “uma injustiça”. 

“Agora que a crise pandémica começa a dar sinais de abrandamento, o Centro Hospitalar prepara-se para descartar aqueles que foram os Heróis dos últimos meses”, acrescenta, em comunicado, o sindicato.

A Lusa contactou o conselho de administração do CHVNG/E que remeteu para uma resposta enviada na quarta-feira, quando o Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU) fez críticas semelhantes.

O centro hospitalar referiu que desde o início da pandemia celebrou cerca de 393 contratos covid, dos quais 170 são enfermeiros e que, “após autorização ministerial, foi possível converter de imediato 22 enfermeiros com contrato a termo para contrato sem termo”.

O CHVNG/E garantiu que “tem sido preocupação constante a estabilidade de contratos a termo, celebrados de acordo com as necessidades existentes, bem como a possibilidade de autorizações ministeriais para os mesmos” e que, “sempre que manifestada a necessidade de substituição de profissionais saídos definitivamente, agiliza o processo de recrutamento da forma mais célere possível, cumprindo rigorosamente a sequência da lista de classificação”.

“Recentemente, com a possibilidade de contratação de enfermeiros para os cuidados intensivos, abriu-se uma bolsa de recrutamento específica, possibilitando que os nossos enfermeiros [contratados a termo], concorrendo com a experiência adquirida, pudessem ser integrados. Nesta situação foi possível passar 25 contratos a termo [entre covid e contratos de substituição temporária] para contratos sem termo”, lê-se na resposta.

O hospital aponta que atualmente tem 37 enfermeiros em regime de contrato a termo incerto por substituições de pessoas ausentes e 121 contratos celebrados no âmbito covid-19.

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