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Da janela do Dragão vê-se a Europa

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Gil Nunes

Jornalista

O F.C.Porto realizou uma exibição de altíssimo nível frente à Juventus e, valha a verdade, tem todas as condições para ultrapassar a eliminatória. Orçamentos à parte, os dragões são claramente superiores à Juventus e só não resolveram a questão no Dragão devido a alguma ineficácia ao nível do jogo ofensivo. E ao infortúnio da sua única desatenção ter resultado em golo do adversário. Mas atenção: a Juventus é como o dólar: oscila mas é sempre uma moeda forte.

E a questão da Juventus é relativamente simples: por muito que os italianos tenham Ronaldo, tenham Dybala, tenham Betancur e toda uma panóplia de estrelas, não há lógica que resista a uma inépcia gritante em termos de saída de bola. Incrível! O primeiro golo do F.C.Porto é de um mérito tremendo mas é daqueles golos que só se registam nos infantis: a Juventus, que está nos oitavos de final da Liga dos Campeões, não conseguiu contrariar uma situação de pressão alta, deixando-se asfixiar até a bola entrar na sua baliza. Como miúdos

a jogar no pátio da escola. É certo que o Porto faz a pressão de forma muito acertada e “coletiva”, numa ação que inclusivamente chegou a causar imensos problemas a Guardiola e ao Manchester City. Mas aí é que está a diferença: o City encarou o problema e, mal ou bem, conseguiu resolvê-lo; a Juventus foi de aflição. Foi de sôfrego!

E sempre que a Juventus atacava, os dragões faziam recuar Corona para a linha defensiva, alargando essa mesma linha para cinco homens. De resto, imagem fiel ao 4x4x2 com Sérgio Oliveira e Uribe a fazerem um jogo

tremendo. Com o colombiano a quebrar linhas de passe e a garantir eficiência ao nível da transição defensiva, o

internacional português alargava o seu alcance de jogo a zonas adiantadas, causando perigo sempre que acelerava. E lógico que a equipa da Juventus tem argumentos para ultrapassar todos os obstáculos, mas o seu desempenho até que roçou o primitivo: sem jogo interior, os italianos capitalizaram as variações de flanco e as

tentativas de dinamizar os seus laterais, curiosamente os ex-dragões Danilo Pereira e Alex Sandro.

Muito pouco para uma equipa que pretende vencer a Liga dos Campeões e que, a julgar pelo apresentado, terá sérias dificuldades em consegui-lo. Porque Ronaldo não faz milagres.

Até Cristiano Ronaldo está desaproveitado nesta Juventus de Pirlo. Com o ajuste da sua linha defensiva, sempre reforçada com o acréscimo de Corona, os dragões foram puxando Cristiano Ronaldo para os corredores ou então para zonas centrais fora da carreira de tiro, onde se impõe uma maior criatividade, o tal aspeto onde CR7 é menos forte. Neste jogo, uma ironia: apesar dos golos terem sido apontados pelos avançados Marega e Taremi, foi precisamente a linha dianteira dos dragões que se apresentou com um rendimento menor. No entanto, alguma ineficácia ofensiva foi disfarçada através de algumas premissas

importantes: como a decisiva velocidade de Manafá, que não sendo um tecnicista nem um primor em termos de cruzamento, consegue dinamitar o corredor e causar imensos perigos às custas das suas tabelinhas rápidas.

Depois, aparecem as contas do jogo. Onde o F.C.Porto foi manifestamente infeliz. Foi pena. Foi pena que Sérgio

Oliveira não tivesse feito o terceiro golo quando estava em posição privilegiada para o fazer. E foi pena que a Juventus tivesse feito golo na única verdadeira oportunidade de que dispôs. Seja como for, agora é dar todo o espaço à racionalidade. Verificar que o coletivo em condições normais se sobrepõe ao individual e que o coletivo portista é muito superior ao coletivo da Juventus.

E a que a diferença individual, em condições normais, também não assim tão densa que consiga cavar um fosso

inultrapassável. Os quartos de final estão ali tão perto. E da janela do Dragão vê-se a Europa. Pena que não se veja Portugal com tanta nitidez. Se o F.C.Porto pode ser, no seu somatório individual e coletivo, a equipa mais forte do campeonato português, certo é que o desempenho europeu é muito superior ao desempenho interno.

Na Madeira, os dragões tiveram mesmo alguma sorte em vencer a partida, algo que não teria acontecido em situações normais. É certo que, pós competições europeias, normalmente o desempenho das equipas decai. E também entra em linha de conta a componente da viagem à Madeira, que não ajuda também no dito rescaldo europeu. O Marítimo foi utilizando a receita que mais dificuldades tem causado ao F.C.Porto esta temporada: a linha de cinco defesas.

Convidando o Porto a explorar os corredores e, mais importante, a sacar da criatividade para resolver o problema. Com Corona tapado e Luis Diaz a mostrar dificuldades quando é alvo de marcação apertada, a utilização mais regular de Francisco Conceição ganha pertinência considerável. Técnica, magia e imprevisibilidade. Há ali craque! Este não engana – muito acima da média!

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