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Via verde para o título

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Gil Nunes

Jornalista

Se os campeões são os mais regulares, então os campeões são os melhores. Pode argumentar-se que o Sporting pode não ser uma equipa avassaladora e que não possui os melhores executantes do campeonato português. E que nem tão pouco se preocupou em tê-los. A questão é que ponto a ponto o leão não vai facilitando. E o sonho do título vai ganhando consistência.

Mesmo tendo um calendário apertado – os leões ainda têm de visitar os redutos do Braga, do Benfica e do F.C.Porto – o Sporting só não conquista o campeonato se não quiser. E a questão nem são os ditos jogos grandes. Os leões não facilitam quando não podem facilitar. O seu jogo não é verdadeiramente deslumbrante, mas é de uma eficiência tal que os seus oponentes têm muitas dificuldades em contrariá-lo. Mesmo F.C.Porto e Benfica, que quando defrontaram o Sporting apresentaram um modelo muito semelhante tendo em vista a sua anulação e, por conseguinte, a eventual prevalência da lei do mais forte, viram-se confundidos pela plasticidade leonina. O Sporting não tem uma abordagem estanque, se bem que os seus três centrais sejam uma imagem de marca, bem como os laterais a todo o terreno. Sem camisolas, saber-se-ia que era o Sporting a jogar. Identidade.

Uma das imagens de marca do Sporting é a largura que oferece ao seu jogo. Se bem que por vezes o controlo da posse de bola se perca em detrimento da busca da profundidade – Tiago Tomás determinante – o Sporting apresenta uma consistência assinalável. Neste último jogo, o Paços de Ferreira bem que tentou explorar as faixas e derivar de rompante no miolo, mas o espaço central esteve sempre bem protegido. Ou seja, se há que dar espaço ao adversário, que o mesmo seja consentido ao nível das faixas, local onde o jogo pode ser mais controlado. São princípios básicos que fomentam um Sporting que se vai tornando também forte nas bolas paradas e, à boa maneira do F.C.Porto, sabe-se que bolas paradas valem muitos pontos nas contas finais. Mesmo muitos pontos.

Já os dragões apresentam uma equipa consistente mas, depois do que aconteceu em Paços de Ferreira, voltaram a apresentaram níveis de displicência que tornam impossível qualquer hipótese de título. É lógico que a ausência de Uribe no onze trouxe alguns problemas, sobretudo pelo maior bloqueio às ações de Sérgio Oliveira na dianteira. Mas nada justifica a inércia demonstrada na primeira parte frente ao Boavista. Não há tática que resista. Destaque para a estreia de Francisco Conceição que, de facto, é craque: capacidade técnica assinalável aliada a uma aceleração considerável e, sobretudo, astúcia para aguentar a pressão e voltá-la a seu favor. Se o inato está lá, o psicológico também não lhe fica atrás. São pormenores que fazem tornar o sonho ainda maior! Há ali jogador acima da média. Sem dúvida!

Mérito para o Boavista, que percebeu claramente de que forma o F.C.Porto iria jogar. Mais uma vez, os dragões voltaram a sentir imensas dificuldades frente a uma linha de cinco defesas. Depois, o Boavista fechou a linha central, obrigando o F.C.Porto a puxar o jogo para os corredores, algo que nem sempre lhe é muito confortável. Axadrezados também muito esclarecidos na transição ofensiva, onde marcaram claramente a diferença. Seja como for, perante tanta inércia dos dragões, tudo ficou bem mais fácil para o Boavista, uma equipa que na segunda parte naturalmente bloqueou mas que, ainda assim, aguentou o empate e fomentou bases para o futuro.

O Benfica voltou a perder pontos, se bem que a qualidade do seu jogo frente ao Moreirense nem fosse assim tão má. Os encarnados precisam de tranquilidade e, acima de tudo, de perceber que o seu plantel é rico o suficiente para ultrapassar os obstáculos. Na baliza a grande novidade com Hélton Leite a substituir Odysseas. E o que vale Odysseas? Nos postes vale muito. Vale mesmo muito! Trata-se de um guarda-redes muito ágil, com elasticidade considerável, que ocupa bem a baliza e, mesmo quando comete erros de posicionamento, tem toda a capacidade para os disfarçar fruto dessa mesma agilidade.

Acontece que é um guarda-redes que defende muito atrás e leva, por isso, a sua defesa a jogar também muito atrás. Com Svilar a ser a aposta mais previsível para o futuro, a saída de Odysseas acaba por ser uma plataforma de teste para aquilo que pode valer Hélton Leite num cenário de maior exigência. Mas não que a baliza seja um problema para os encarnados. Bem longe disso. É a tal questão dos guarda-redes: muitas vezes os melhores guarda-redes são aqueles que antecipam o perigo ou que, pelas suas ações, eliminam o perigo antes de ele se materializar. Não são aqueles que apagam os fogos depois dos mesmos já estarem ateados. São pormenores que fazem a diferença. Tal como Pasinato, o excelente guarda-redes do Moreirense, fez a diferença frente ao Benfica. Com algum azar à mistura, as águias voltaram a dar um passo atrás. Para sorriso invisível dos leões!

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