arquivoVou ao supermercado e gasto aquilo que tenho naquilo...

Vou ao supermercado e gasto aquilo que tenho naquilo que preciso

-

- Advertisment -spot_img

Gil Nunes

Jornalista

A liderança do Sporting, e a conquista da Taça da Liga, afinam por um diapasão de simplicidade que surpreende tudo e todos e que, no fundo, se traduz na mais básica receita para o êxito: ver aquilo que se precisa e adquirir de acordo com o que se pode gastar. E sem mais a acrescentar!
Pedro Gonçalves estava ali à mão de semear. Na liga portuguesa, no Famalicão! Jogador dotado de técnica assinalável com ambos os pés e uma velocidade de execução que surpreende, a sua ascensão como jogador “mais” da equipa num curto espaço de tempo testemunha o bom caminho que o Sporting tem trilhado nos últimos tempos. Afinal era simples!
Também parece simples o desenho de 3x4x3 onde os laterais desempenham papel determinante. Não era necessário contratar-se o melhor lateral do mundo. Era, isso sim, necessário contratar um lateral com capacidade para fazer o corredor, sobretudo dotado de velocidade e de grande preponderância ofensiva. Porro, que marcou o golo do triunfo na final frente ao Braga aproveitando uma desatenção individual de Sequeira, tem aquilo que é preciso. Bem como Nuno Mendes, um elemento que caminho a passos largos para ser opção permanente na seleção nacional portuguesa.
O Sporting tem isto e também algumas falhas, como aquelas que se evidenciaram no início da temporada e que dizem respeito a alguma falta de equilíbrio no processo de transição defensiva. E o Braga tem uma excelente equipa, com potencial para crescer. Saúda-se a “recuperação” de Iuri Medeiros, um esquerdino açoriano que nas camadas jovens chegou a ser apontado como futura pérola a despontar da fábrica de Alcochete. O talento está lá e a capacidade de desequilíbrio individual também. Mas a contratação mais dominante dos arsenalistas é mesmo Al Musrati: grande jogador! Trata-se de um centrocampista pleno de capacidade física e com habilidade técnica para se impor em terrenos mais dianteiros, bem como ser sólido em termos de processo de construção. Isto já para não falar do seu forte remate. O internacional líbio é um jogador com margem de progressão e imenso mercado até porque, ainda por cima, se trata de um jogador bastante jovem. Qualidade indubitável!
No campeonato, os dragões venceram no difícil reduto do Farense e mostraram alguns atributos particulares. Desde logo a estratégia que Jorge Jesus montou no Dragão provou ser conhecedora da realidade do F.C.Porto: o seu forte flanco direito. A forte dinâmica implementada pelo flanco direito. E a constatação de que Manafá (que não jogou frente ao Benfica) é muito mais jogador do que aquilo que se pensa. Porque pode não ser muito hábil no cruzamento largo mas possui uma velocidade considerável que alimenta todo um flanco que dinamiza o F.C.Porto. Depois, a sua articulação com Corona desponta o mexicano para zonas mais centrais onde, sendo ambidestro, consegue proporcionar diversos momentos de desequilíbrio à equipa. No miolo, outra ligação interessante com Otávio, este mais dotado a sair da transição e a conferir lucidez à equipa. É um facto que Otávio e Corona jogam muito um para o outro, e o bloqueio de um traduz-se na desinspiração do outro. É verdade. Mas, lá está, a sociedade estabelecida entre os dois é uma espécie de bastião de um dragão que vai pecando em capacidade de desequilíbrio individual mas que abunda em termos de processos consolidados. A tal consolidação que se vai afirmando como principal adversário do leão rei da simplicidade.
Já na Luz, a perda de pontos frente ao Nacional representou um pequeno golpe (facilmente contrariável) nas aspirações dos encarnados. Mas aqui a questão é mais contextual: com a pandemia de COVID-19 a fazer das suas, todo um planeamento de jogo quase que cai por terra e a disponibilidade do plantel transforma-se numa verdadeira manta de retalhos. É certo que os técnicos são pagos para criarem soluções em face dos problemas mas o contexto nunca é o ideal. Logicamente que é muito cómodo falar-se de crise ou de falta de fio de jogo e nada perdoa a inércia que o Benfica demostrou na parte final da partida. Por aí não. Agora bem que se podia ter adiado o jogo para outra data. Por aí sim. Porque se espera que nenhum surto afete outro clube da mesma forma que afetou o Benfica. É preciso perceber que estamos a lidar com uma situação inédita – pandemia – que, na maior parte das vezes, não tem relação com a própria lei em si. E, nestes casos, o bom senso deveria ser lei. Porque são estes detalhes que desafinam as contas finais de qualquer competição.

Artigo anteriorAs crónicas da minha terra
Próximo artigoApontamentos

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Latest news

AMP quer ‘plano B’ para transportes caso diferendo com Gondomar não se resolva

O presidente do Conselho Metropolitano do Porto (CmP) assegurou hoje que vai levar até “às últimas consequências o esforço...

Assistente administrativa detida por burla

A PSP deteve em Vila Nova de Gaia, uma assistente administrativa por alegada falta de pagamento de serviços prestados,...

Suldouro retoma este mês entrega de contentores para reciclagem em Gaia

A Suldouro, operadora de resíduos nos concelhos de Vila Nova de Gaia e Santa Maria da Feira, garantiu hoje...

Mulher morre atropelada por autocarro na N222 em Vilar de Andorinho

Uma mulher de cerca de 80 anos morreu hoje depois de ter sido atropelada por um autocarro em Vilar...
- Advertisement -spot_imgspot_img

Lançado concurso público de conceção e construção da nova ponte sobre o rio Douro

O concurso público de conceção e construção da nova ponte rodoviária sobre o Douro, que vai ligar o Porto...

Pontos essenciais das variantes classificadas de preocupação presentes em Portugal

Das centenas de mutações do SARS-CoV-2 detetadas durante a pandemia, a atenção das autoridades de saúde recai em quatro...

Must read

- Advertisement -spot_imgspot_img

You might also likeRELATED
Recommended to you