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As crónicas da minha terra

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Benjamim Almeida

Natural de Sandim

Queridos leitores, esta semana escrevo sobre o nascimento dos caminhos e carreiros da nossa terra.

Os primeiros caminhos, efetuados pelos romanos, há muitos séculos atrás, eram caminhos estreitos, em terra ou calçada, feitos à medida do rodado dos carros de bois, que ligavam as minúsculas aldeias, que são os atuais lugares, ou casas isoladas, acompanhando a topografia dos terrenos, sem qualquer mão de engenharia.

Sobre o rio Uima não havia nenhuma ponte de pedra, apenas de madeira, em Santa Marinha, Lobel, Gassamar e Sá. Nos outros ribeiros, seria certamente a mesma coisa, pontes muito simples, em madeira, por vezes somente com um ou dois troncos sobre a corrente.

Mas nem tudo seria mau, naqueles tempos de caminhos e carreiros, por entre campos e pinhais sem fumo nem barulho de automóveis, mas com abundância de aromas selvagens e cantos de aves, onde o som mais “agressivo“ que se podia esperar, era o chiar de algum carro de bois, no seu trânsito pesado e sem pressas.

De noite os caminhos eram desaconselhados, exceto para salteadores, aventureiros, bruxas e almas penadas. No Inverno alguns ficavam alagados e cheios de lama e, por esse motivo, havia lugares que ficavam isolados durante muito tempo.

Atualmente, essas infraestruturas antigas, aos poucos vão desaparecendo, ou por desmazelo de alguns proprietários de terrenos por onde passam, ou então pelos autarcas da nossa freguesia, que fecham olhos e não querem saber da nossa história e do património antigo que tanto enriquece a nossa terra.

Dou como exemplo  o caso da autoestrada que atravessa Sandim, em que ninguém teve a coragem de se opor ao corte de alguns desses caminhos Romanos, que simplesmente foram cortados a meio por uma infraestrutura moderna, que quem como eu gosta de fazer caminhadas e percorre esses trilhos, quando olha repara perfeitamente o caminho estar cortado e só tem duas alternativas: ou volta para trás, ou então passa a rede de vedação e atravessa a autoestrada, que não será o mais certo nem o mais sensato, devido ao perigo de ser atropelado.

Abraço

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