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Bloco de Notas

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Salvador Santos

Gestor Cultural

  1. As obras de requalificação do Porto de Pesca da Afurada estão em fase de conclusão. Este sonho era há muito ambicionado pela comunidade deste importante e pitoresco centro piscatório de Gaia, que se tornou freguesia em 1952 em resultado de um grande movimento popular. A partir desse momento, a Afurada passou a ser uma terra em crescimento, particularmente nos tempos que se seguiram à Revolução de Abril e à implementação do Poder Local Democrático, eventos que foram determinantes no desenvolvimento e coesão das populações e dos territórios no todo do país. E apesar da expansão da freguesia a nível do turismo e da sua crescente modernização a nível urbanístico, houve sempre a preocupação de se manter a sua identidade única. Nesse sentido, foram, por exemplo, preservados e melhorados o seu Lavadouro e Estendal públicos, uma das suas marcas mais particulares. Foi projetado um novo mercado, que vicissitudes várias tardaram a dar corpo, ao mesmo tempo que era erigido um Centro Interpretativo do Património da Afurada, espaço destinado a interpretar, refletir e expor o ambiente e a atividade humana no território. E foram disponibilizados novos espaços para armazenamento de aprestos dos homens que fazem do mar o seu sustento. Faltava, no entanto, a criação de uma Lota. E, em boa hora, ela aí está. É constituída por dois módulos, um de controlo e outro de registo de pescado, a que se junta a construção de mais 24 armazéns de aprestos. Ao mesmo tempo que saudamos esta decisão da Câmara de Gaia, ficamos na expectativa de que os novos espaços de armazenamento sejam mesmo para aprestos de pescadores e não para outros fins que nada têm a ver com a faina do mar, como tem acontecido (abusivamente!?…) com alguns dos antigos armazéns.
  2. A situação de abandono a que a Quinta do Castelo tem sido votada continua por explicar, de nada tendo valido até hoje as constantes reclamações de moradores e encarregados de educação dos alunos da escola básica vizinha contra o estado deplorável do espaço, devido ao seu uso indevido por parte de alguns cidadãos, e seus animais domésticos, que ali defecam e urinam. Por outro lado, a sua não requalificação enquanto espaço público continua também por explicar. Há muito que se exige a sua devolução à cidade, como um “pulmão verde” em forma de espaço multifuncional e intergeracional, que funcione como um verdadeiro ponto de encontro e de convívio, de cruzamento e interação de públicos heterogéneos, dotado de equipamentos de apoio e de mobiliário urbano que permitam diferentes utilizações por crianças, jovens e adultos, como o estudo e a leitura, o entretenimento e a cultura, o desporto e o exercício físico. Mas a Câmara de Gaia, inexplicavelmente, parece alheia a tudo isto!
  3. Nadir Afonso (4 de dezembro de 1920-11 de dezembro de 2013), arquiteto, pensador e pintor, autor de uma vasta obra pictórica, com um reconhecimento internacional notável, esteve patente, no Convento Corpus Christi, numa exposição com o título genérico “O Espaço e o Tempo”, subtitulada “20 Anos de Abstracionismo Geométrico/A Sensibilidade às Formas”, que reuniu pinturas por si realizadas na diáspora, em Paris, entre 1947 e 1970. Com especial enfoque no período denominado como “abstracionismo geométrico”, corrente artística com a qual ele mais se identificava, a mostra reúne algumas das obras que estiveram presentes naquela que foi a sua primeira grande exposição na capital francesa, na Maison des Beaux Arts, em 1959, e incluem os períodos pré-geométricos, barroco, egípcio e “espacillimités”. Pioneiro da abstração geométrica em Portugal e autor de uma obra singular e fundamental para o estudo do modernismo no nosso país, Nadir Afonso tinha um métudo de trabalho meticuloso e detalhista, que passava por três fases distintas. Começava regularmente por esboçar as suas ideias em pequenos pedaços de papel, passando depois as que mais lhe agradavam para folhas maiores, onde sofriam as alterações julgadas adequadas, até chegarem à tela final num processo de triagem criativa constante. O que podíamos ver nesta exposição é “apenas” um breve retrato de um pintor que foi capaz de mesclar a realidade visual com elementos oníricos, tudo dentro da rigidez matemática que um arquiteto, mesmo que por engano, há de procurar.

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