Cartão branco já foi mostrado “2.500 vezes” a agentes desportivos pelo seu ‘fair-play’

-

Associações de Futebol do Porto aderiu ao cartão branco

O cartão branco, que premeia “comportamentos eticamente relevantes” de vários agentes envolvidos no jogo, já foi exibido “2.500 vezes” desde que foi lançado, em 2015, pelo Instituto Português do Desporto e Juventude, foi ontem revelado.

A informação foi prestada por José Lima, do IPDJ, após a cerimónia de adesão ao Cartão Branco das Associações de Futebol do Porto, Bragança e Vila Real, as únicas ligadas a essa modalidade que ainda não o tinham feito.

O mesmo responsável disse que já aderiram a este instrumento pedagógico “40 entidades” desportivas, incluindo federações de diferentes modalidades, continuando fora do seu âmbito as competições profissionais de futebol por motivos relacionados com a UEFA.

“Nem sabia que não tínhamos implementado o cartão branco”, explicou o presidente da Associação de Futebol do Porto (AFP), José Neves, que assumiu funções em maio e foi o anfitrião daquela cerimónia, apesar de ter feito parte da direção anterior.

A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) contactou a AFP, constatou-se, entretanto, que também as associações de Vila Real e Bragança estavam fora do cartão e hoje também elas aderiram. “Foi isso que fizemos agora, corrigir uma lacuna”, resumiu.

José Neves recordou que “o cartão branco destina-se a ser exibido pelos árbitros quando se verificam atitudes claras de ‘fair-play’ de atletas, dirigentes ou do público”.

“É uma distinção para aqueles que são amantes do desporto e que basicamente praticam as leis e o ‘fair-play’ e é o que partir de agora, na Associação de Futebol do Porto, irá ser implementado imediatamente em todos os escalões”, afirmou.

O dirigente considera que este cartão devia ser usado nas ligas profissionais, “porque é aí que ele traria maior visibilidade e como o caminho se faz caminhando ele chegará lá”.

O vogal do conselho diretivo do IPDJ Carlos Pereira concorda que seria um “passo importante” alargar o cartão às competições profissionais, mas sustentou que a “iniciativa deve partir dos agentes desportivos quando se sentirem preparados para tal”.

O responsável salientou que “este processo exige disponibilidade dos árbitros”, que têm de se sentir “confortáveis com as suas tarefas habituais com o acumular a gestão e a observação de atos positivos no desporto”.

“Em competições de maior responsabilidade e com maior visibilidade, é importante que [os árbitros] se sintam preparados para dar esse passo. Seria importante dado o impacto que têm junto do público e da comunicação social se esse passo pudesse ser dado”, acrescentou Carlos Pereira.

Instado a falar sobre o cartão, o presidente da APAF, Luciano Gonçalves, começou por advertir que não iria responder a questões sobre “coisas do fim de semana” futebolístico e deteve-se no que disse ser “o momento histórico” que é o envolvimento de todas associações de futebol neste instrumento que distingue o ‘fair-play’ desportivo.

Luciano Gonçalves disse que é positivo haver um instrumento para “valorizar os momentos importantes do jogo”, em paralelo com os que servem para punir comportamentos incorretos.

O cartão branco podia fazer com que “existissem mais momentos” eticamente positivos nos campeonatos profissionais. “Se calhar existem esses momentos e não os valorizamos porque focamo-nos sempre no que é negativo”, completou Luciano Gonçalves.

Questionado sobre se há alguém no futebol profissional digno de um cartão branco, Luciano Gonçalves respondeu: “Não sei bem se haveria alguém que o merecesse”.

Partilhe este artigo

ÚLTIMAS

Google search engine

Mais lidas