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Vila Nova de Gaia
Sexta-feira, Março 5, 2021
Paulo Martins
Treinador de Andebol

O desporto foi um dos que sofreram com a COVID-19. Agora, quando se começava a retomar aos poucos a atividade, novo confinamento geral. Como vê o futuro do setor?

Obrigado pela pergunta. Obrigado pelo convite.
Em uma sociedade em que o desporto, um dos grandes motores da economia real, não tem direito sequer a um ministério no maior governo da história da nossa democracia. Diz muito da maneira com este governo e a nossa sociedade encara o desporto.
99% do desporto em Portugal amador e não amador vive dos apoios de empresas, camarários e dos pais.
Com a atual conjuntura, sem a prática continuada da prática desportiva, eu antevejo um colapso do tecido desportivo. As federações, associações e estruturas organizadoras são as primeiras a ruir. A sua função, estabelece a constituição, que seja de fomento á prática desportiva, quer estruturalmente quer financeiramente. Mas como sabemos essa função cabe sempre á base da pirâmide: ao praticante. O tal que devia ter acesso ao desporto de forma gratuita e com qualidade.
Sabemos que essa não é a realidade, á muitos anos, mas agora com uma pandemia, algo que ninguém estaria a prever… está cada vez mais a “nu”.
As estruturas vão “ruir”, os pequenos clubes débeis e sérios, estão a suportar os seus custos fixos reais e isso vai levar a curto prazo ao seu fechamento. Estamos a pedir mais uma vez aos técnicos que se sacrifiquem pelo bem comum.
Não é isso que fazem á anos?
Pedem aos técnicos que se reinventem, que criem novos processos de treino, e a sociedade está a reinventar-se?
O que estão a fazer as escolas para combater a iliteracia motora das crianças?
Estará a nossa sociedade preparada para o novo “normal”?
Vão chegar milhões de apoio a economia, quero ver se um “bocadinho” desses milhões chegam ao desporto. O setor que mais contribui para o combate á obesidade e respetivas doenças relacionadas, quero saber como serão apoiados, porque muitos não vão “sobreviver” ao novo “normal”!!!
Não existe nenhum relato de qualquer atleta tenha contraído COVID e tenha estado em cuidados intensivos. Podem dizer é pela idade, pela cor dos olhos ou até o tamanho das unhas. Mas deve-se única e exclusivamente porque é um praticante desportivo federado.
A nossa sociedade não sobrevive sem os clubes e o desporto.
Mas cabe a todos nós repensar a maneira como encara do desporto e a sua prática. Não deixem morrer o desporto. Salvem as nossas crianças e jovens.

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19|365 . PAULO MARTINS

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